ENTRE O OLHAR DO OUTRO E A LIBERDADE DE SER.
Uma leitura psicanalítica e teológica sobre a necessidade de aprovação.
Há pessoas que chegam à clínica dizendo: “Eu me importo demais com a opinião dos outros. Por causa disso, deixo de fazer o que desejo, reprimo minhas vontades e me privo de experiências por medo do julgamento alheio.”
À primeira vista, parece que o problema está em se importar demais com o que os outros pensam. Entretanto, talvez seja necessário reformular essa queixa. Afinal, será que o sofrimento decorre do fato de considerarmos a opinião alheia ou da necessidade de controlar aquilo que o outro pensa a nosso respeito?
Essa distinção é fundamental para compreendermos a dinâmica psíquica da necessidade de aprovação.
1. O problema não é considerar o outro, mas depender de sua aprovação.
O ser humano não se constitui isoladamente. Somos atravessados pela linguagem, pelos vínculos, pelas identificações e pelos valores que recebemos daqueles que participam de nossa história. Desde a infância, o olhar do outro exerce influência sobre a formação de nossa identidade, sobre a maneira como percebemos a nós mesmos e sobre aquilo que aprendemos a desejar.
Portanto, importar-se com a opinião alheia não é, por si só, um sinal de adoecimento psíquico. Considerar o outro é uma condição necessária à convivência, à responsabilidade e à vida em sociedade.
Se estou irritado e, ainda assim, trato o atendente de uma padaria com educação, demonstro que não sou obrigado a transformar meu estado emocional em instrumento de sofrimento para outra pessoa. Minha irritação não me concede o direito de ser grosseiro. Nesse caso, considero o outro não porque preciso conquistar sua admiração, mas porque reconheço sua dignidade.
Da mesma forma, posso evitar comentários depreciativos sobre uma coordenadora no ambiente de trabalho porque compreendo as consequências éticas, profissionais e relacionais de minhas palavras.
Em ambos os casos, há uma regulação da conduta que pode ser saudável.
A questão muda, porém, quando a consideração pelo outro deixa de ser uma escolha orientada pela consciência e passa a ser uma exigência interna sustentada pelo medo. Já não ajo apenas porque reconheço o valor do outro ou porque avalio racionalmente as consequências de minhas ações. Passo a agir para impedir que o outro forme uma imagem negativa de mim.
Nesse momento, a consideração pode transformar-se em submissão à aprovação.
Não sofremos necessariamente porque a opinião do outro nos importa, mas porque atribuímos a essa opinião o poder de determinar o valor que reconhecemos em nós mesmos.
2. O olhar do outro e a construção do sujeito.
Na perspectiva psicanalítica, a relação com o olhar alheio pode ser compreendida a partir da história de constituição do sujeito. A criança depende dos adultos para sobreviver, receber cuidados e construir referências sobre si mesma. O amor, o reconhecimento, a proteção e a aprovação dos cuidadores participam de seu desenvolvimento emocional. Entretanto, quando o reconhecimento é experimentado como excessivamente condicionado ao desempenho, à obediência ou à satisfação das expectativas alheias, a criança pode aprender que precisa corresponder para preservar o vínculo.
Não se deve concluir que toda pessoa preocupada com a aprovação sofreu necessariamente uma infância traumática. A formação psíquica é complexa e envolve diferentes experiências, relações e circunstâncias. Contudo, em determinadas histórias, a desaprovação pode ter sido vivida como ameaça à segurança afetiva.
A criança que aprendeu a temer a rejeição pode desenvolver uma espécie de vigilância permanente: observa expressões faciais, interpreta silêncios, antecipa reações e procura identificar o que os outros esperam dela.
Na vida adulta, esse funcionamento pode assumir a forma de perguntas silenciosas: “Será que ele gostou do que eu disse?” “Será que ela ficou chateada comigo?” “Será que pensaram mal de mim?” “Será que fiz alguma coisa errada?”
A pessoa passa a gastar uma quantidade considerável de energia psíquica tentando decifrar o pensamento alheio. Em vez de simplesmente participar de uma relação, ela monitora a própria atuação dentro dela.
O encontro deixa de ser espontâneo e se transforma em avaliação. A conversa deixa de ser apenas conversa e passa a ser uma prova cujo resultado parece decidir se a pessoa merece ou não ser aceita.
É como se, em cada relação, existisse um tribunal invisível diante do qual ela precisasse justificar continuamente sua existência.
3. A angústia de não controlar a opinião alheia.
Existe uma diferença importante entre desejar ser bem visto e precisar garantir que todos tenham uma imagem positiva de nós.
O primeiro desejo é compreensível. O segundo exige o impossível.
Podemos escolher nossas palavras, revisar nossas atitudes, reparar nossos erros e procurar agir com honestidade. Não podemos, entretanto, determinar integralmente a interpretação que as pessoas farão de nossas ações.
Uma atitude educada pode ser interpretada como frieza. Uma demonstração de carinho pode ser recebida com desconfiança. Uma discordância legítima pode ser entendida como hostilidade. Até mesmo o silêncio pode receber significados que jamais pretendemos comunicar.
Isso acontece porque o outro não nos interpreta a partir de nossas intenções exclusivamente. Ele também interpreta a partir de sua própria história, de suas expectativas, de suas experiências e de seus conflitos.
Consequentemente, não existe comportamento capaz de garantir uma aprovação universal.
A pessoa que não tolera essa realidade tenta encontrar uma solução impossível: controlar a percepção alheia para eliminar a angústia que acompanha a possibilidade de ser rejeitada. Entretanto, quanto mais tenta controlar essa percepção, mais dependente se torna dela. Sua liberdade passa a ser negociada a cada interação. Ela não pergunta apenas: “O que penso?”, “O que desejo?” ou “O que considero correto?”. Pergunta, sobretudo: “O que devo fazer para que o outro não pense mal de mim?”.
O desejo próprio começa a perder espaço para a antecipação do desejo alheio. É nesse ponto que a necessidade de aprovação pode se tornar uma forma de aprisionamento psíquico.
4. A formação reativa: quando a simpatia esconde o medo.
Entre os mecanismos de defesa descritos pela psicanálise, a formação reativa ajuda a compreender algumas dessas manifestações.
Em termos gerais, ela consiste na adoção de uma atitude oposta a um impulso, sentimento ou desejo que o sujeito não consegue reconhecer ou tolerar adequadamente. Não se trata de afirmar que toda gentileza exagerada seja uma defesa, mas de reconhecer que, em determinadas situações, uma atitude excessivamente oposta ao sentimento experimentado pode cumprir essa função.
Imagine uma pessoa que chega à padaria profundamente irritada. Ela deseja permanecer em silêncio, não conversar e simplesmente comprar o que precisa. Entretanto, sente um medo intenso de parecer antipática.
Em vez de apenas agir com educação, ela exagera na simpatia. Sorri continuamente, demonstra entusiasmo que não sente, faz brincadeiras e se esforça para parecer agradável.
A questão não é o sorriso. A questão é a função que ele desempenha.
Se a gentileza expressa consideração espontânea, ela pode ser uma manifestação saudável de civilidade. Se é utilizada compulsivamente para impedir que o outro pense mal de nós, pode funcionar como uma defesa contra a angústia.
A pessoa já não está apenas sendo gentil: está tentando assegurar sua aceitação.
O mesmo pode acontecer nos relacionamentos afetivos. Alguém que teme profundamente ser abandonado pode concordar com tudo, evitar discordâncias, silenciar necessidades e oferecer mais do que consegue sustentar. Pode até mesmo sorrir quando está magoado, pedir desculpas quando não reconhece ter cometido uma falta e assumir responsabilidades que pertencem ao outro.
Por trás dessa aparente docilidade, pode existir uma crença dolorosa: “Se eu desagradar, serei rejeitado; se for rejeitado, não suportarei o que isso fará comigo”.
Assim, a pessoa sacrifica a espontaneidade para preservar o vínculo e, gradualmente, corre o risco de perder o contato com aquilo que realmente sente e deseja.
Às vezes, o excesso de agradabilidade não nasce da liberdade de amar, mas do medo de não ser amado.
5. O desejo do Outro e o abandono do próprio desejo.
Na teoria lacaniana, a relação do sujeito com o desejo do Outro ocupa um lugar central. O Outro, nesse contexto, não significa apenas uma pessoa específica, mas também o campo da linguagem, das expectativas, das normas e dos significantes por meio dos quais o sujeito se constitui.
Uma pergunta pode atravessar silenciosamente a vida de quem depende excessivamente da aprovação: “O que o Outro quer de mim?”.
Essa pergunta não é necessariamente patológica. Precisamos compreender as expectativas que circulam nas relações e reconhecer as responsabilidades que assumimos. O problema surge quando a tentativa de responder a essa pergunta ocupa todo o espaço da existência.
A pessoa começa a organizar sua identidade em função daquilo que imagina ser desejado por aqueles que a cercam. Procura ser o filho que não decepciona, o cônjuge que nunca contraria, o funcionário que jamais desagrada, o amigo que está sempre disponível e o cristão que não pode demonstrar fragilidade. Entretanto, nenhuma dessas posições, por si só, representa a totalidade do sujeito.
A pessoa passa a viver como se precisasse descobrir a resposta correta para uma pergunta cuja resposta nunca poderá dominar inteiramente. O desejo do outro permanece parcialmente opaco, mas ela insiste em decifrá-lo, acreditando que, se conseguir corresponder perfeitamente às suas expectativas, finalmente estará protegida contra a rejeição.
É uma promessa de segurança que nunca se cumpre.
Sempre haverá uma expectativa não atendida, uma interpretação equivocada ou uma pessoa insatisfeita.
A elaboração psicanalítica não consiste em ensinar o sujeito a ignorar os outros, mas em ajudá-lo a reconhecer os limites de seu controle, a distinguir o desejo próprio das exigências internalizadas e a suportar a possibilidade de frustrar expectativas sem interpretar toda desaprovação como uma ameaça à própria existência.
A pergunta deixa de ser exclusivamente “O que esperam de mim?” e começa a incluir outra, igualmente necessária: “O que acontece comigo quando imagino que não corresponderei ao que esperam?”.
Essa mudança desloca a investigação da tentativa de controlar o outro para a compreensão da própria angústia.
6. A dimensão teológica: o temor dos homens e a liberdade diante de Deus
A tradição bíblica também oferece elementos importantes para refletirmos sobre a necessidade de aprovação.
Em Provérbios 29.25, lemos: “O receio do homem armará laços, mas o que confia no Senhor será posto em alto retiro.”
O texto não condena toda consideração pela opinião humana. A Escritura reconhece a importância da sabedoria, do conselho, da correção e da responsabilidade comunitária. O problema apontado é o temor que transforma o ser humano em refém de outros seres humanos. O temor dos homens torna-se um laço quando a necessidade de ser aceito passa a governar as decisões, silenciar a consciência e determinar a identidade.
A pessoa já não pergunta apenas se uma atitude é verdadeira, justa ou prudente. Pergunta se será aprovada. Não avalia apenas se está agindo corretamente, mas se conseguirá evitar qualquer descontentamento.
Nesse cenário, a aprovação humana pode ocupar um lugar que não lhe pertence: o lugar de fundamento último da segurança e do valor pessoal.
A teologia cristã, porém, conduz a uma distinção essencial entre o valor da criatura diante de Deus e a avaliação que as pessoas fazem dela.
O ser humano é criatura, portador de dignidade, mas também limitado, falível e dependente da graça. Não é necessário construir uma imagem de perfeição para justificar sua existência diante do Criador.
Na perspectiva reformada, a justificação pela graça, mediante a fé em Cristo, exclui a pretensão de estabelecer a própria aceitação diante de Deus por meio de méritos pessoais. Isso não significa que o cristão esteja dispensado da santidade, da obediência ou da responsabilidade. Significa que suas obras não constituem o fundamento de sua justificação.
Essa verdade tem implicações existenciais importantes.
Se a aceitação diante de Deus não é conquistada pela fabricação de uma imagem impecável, o sujeito pode começar a abandonar a necessidade de apresentar a si mesmo como alguém que nunca falha, nunca decepciona e nunca desagrada.
Ele pode reconhecer seus pecados sem transformar cada erro em prova de que não possui valor. Pode receber correção sem experimentar toda crítica como aniquilação. Pode pedir perdão sem precisar controlar a maneira como o ofendido responderá. A graça não elimina a responsabilidade; ela rompe a ilusão de que precisamos nos salvar pela aprovação alheia.
7. Jesus, a verdade e a impossibilidade de agradar a todos
O próprio ministério de Jesus evidencia que fidelidade e aprovação universal não são compatíveis.
Cristo acolheu pecadores, confrontou a hipocrisia religiosa, denunciou a exploração e ensinou verdades que provocaram rejeição. Suas palavras não foram organizadas para assegurar a aprovação de todos, mas para cumprir sua missão em obediência ao Pai.
Em João 6, por exemplo, muitos discípulos consideraram duro o seu discurso e deixaram de acompanhá-lo. Jesus não alterou a verdade anunciada simplesmente para conservar a adesão de todos.
Isso não deve ser usado como justificativa para a insensibilidade, a arrogância ou a falta de disposição para ouvir críticas. Jesus também demonstrou compaixão, humildade e amor. Seu exemplo não autoriza ninguém a chamar de fidelidade a própria grosseria. A questão é outra: fazer o bem não garante que seremos compreendidos; falar a verdade não assegura que seremos aplaudidos; agir com amor não impede que alguém interprete nossas atitudes negativamente.
Em Gálatas 1.10, Paulo confronta a incompatibilidade entre a busca da aprovação humana como finalidade suprema e o serviço a Cristo.
O princípio é claro: quando a aprovação dos homens se torna o critério absoluto da conduta, a fidelidade pode ser sacrificada no altar da conveniência. O cristão não é chamado a desprezar as pessoas, mas a amá-las sem transformar sua aprovação em senhor de sua consciência.
Há uma diferença entre procurar viver em paz com todos, na medida do possível, e fazer qualquer coisa para que ninguém se desagrade de nós. A primeira atitude expressa prudência e amor. A segunda pode revelar escravidão ao julgamento alheio.
8. A humildade cristã não é anulação de si mesmo.
É importante distinguir humildade de autodepreciação.
A humildade cristã não exige que alguém se considere incapaz, aceite qualquer tratamento ou renuncie sistematicamente às próprias necessidades para preservar a aprovação dos outros.
Tampouco significa que toda crítica recebida deva ser acolhida como verdadeira. A pessoa pode examinar uma crítica, reconhecer o que procede, rejeitar o que é injusto e permanecer aberta à correção.
A humildade consiste, entre outras coisas, em reconhecer a própria condição sem precisar fabricar uma imagem de superioridade ou de perfeição. Isso implica admitir: posso estar errado, mas não sou obrigado a considerar verdadeira toda opinião que alguém tenha a meu respeito. Posso ter falhado e assumir as consequências, sem concluir que sou irremediavelmente indigno. Posso desagradar a alguém sem que isso signifique, automaticamente, que cometi uma injustiça.
A liberdade cristã não é liberdade para fazer tudo o que se deseja, independentemente dos outros. É liberdade para agir com responsabilidade sem transformar o reconhecimento humano em condição absoluta da própria existência.
Por isso, a pergunta fundamental não é: “Como posso viver sem me importar com ninguém?”. É: “Como posso amar, respeitar e considerar o outro sem entregar a ele o governo absoluto da minha consciência?”.
9. O caminho da elaboração: suportar a possibilidade de não agradar.
Na clínica psicanalítica, não basta recomendar que alguém deixe de se importar com a opinião dos outros. Uma orientação dessa natureza pode até aumentar a culpa, porque o sujeito já sabe que está sofrendo, mas não consegue simplesmente abandonar o funcionamento que o aprisiona.
É necessário investigar o significado que a desaprovação adquiriu em sua história. O que essa pessoa imagina que acontecerá se alguém não gostar dela? Que experiência passada torna a rejeição tão ameaçadora? O que ela acredita perder quando deixa de corresponder às expectativas? Que sentimentos procura evitar ao se mostrar constantemente agradável?
Em alguns casos, pode surgir o medo do abandono. Em outros, a vergonha, a culpa, a sensação de inferioridade ou a fantasia de perder o amor e a proteção de alguém importante. Essas possibilidades precisam ser investigadas, e não presumidas como explicações universais.
O trabalho de elaboração consiste em tornar pensáveis os afetos que antes pareciam insuportáveis, reconhecer os mecanismos defensivos e ampliar a capacidade de sustentar conflitos sem recorrer automaticamente à submissão, à dissimulação ou ao excesso de agradabilidade.
Isso pode começar com pequenas experiências: discordar respeitosamente, dizer não quando necessário, expressar uma preferência sem pedir desculpas por existir e permitir que alguém manifeste descontentamento sem correr imediatamente para reparar uma situação que talvez nem sequer tenha sido provocada por nós.
Não se trata de cultivar indiferença. Trata-se de desenvolver uma relação mais realista com os limites da própria influência.
A pessoa começa a perceber que pode ser responsável por suas atitudes, mas não pelo controle integral dos sentimentos, pensamentos e interpretações dos outros. Ela pode oferecer uma explicação, mas não obrigar alguém a compreendê-la. Pode agir com honestidade, mas não garantir que todos acreditem nela. Pode amar alguém, mas não assegurar que será amada na mesma medida.
Essa descoberta pode produzir angústia, especialmente quando a pessoa passou grande parte da vida tentando antecipar e neutralizar qualquer possibilidade de rejeição. Contudo, é também uma oportunidade de mudança.
A liberdade começa quando o sujeito deixa de exigir de si mesmo a tarefa impossível de administrar a consciência alheia.
Conclusão: não precisamos ser aprovados por todos para viver com dignidade.
Talvez você não esteja sofrendo simplesmente porque se importa demais com a opinião dos outros. Talvez esteja sofrendo porque aprendeu a interpretar a desaprovação como uma ameaça que precisa ser evitada a qualquer custo.
Talvez tenha passado tanto tempo tentando descobrir o que as pessoas esperam de você que já não consiga distinguir com clareza aquilo que deseja daquilo que acredita precisar desejar para ser aceito.
Você procura não errar, não desagradar, não frustrar, não contrariar. Procura antecipar reações, corrigir impressões e construir uma imagem que lhe ofereça alguma segurança. Mas, quanto mais se esforça para controlar a maneira como é percebido, mais sua vida fica submetida a algo que jamais poderá dominar completamente.
A psicanálise nos convida a investigar a história e a função desse medo. A teologia cristã nos lembra que o ser humano não encontra sua segurança última na aprovação dos homens, mas na graça de Deus revelada em Cristo.
Essas perspectivas não são idênticas, mas podem dialogar ao nos ajudar a reconhecer os limites do controle e a questionar a necessidade de viver sob o julgamento permanente do outro.
Você não precisa deixar de considerar as pessoas. Precisa aprender a considerá-las sem desaparecer diante delas.
Não precisa se tornar insensível à crítica. Precisa aprender a discernir entre a correção que pode ajudá-lo a crescer e o julgamento que não define integralmente quem você é.
Não precisa conquistar a aprovação de todos. Precisa assumir a responsabilidade por suas escolhas, reparar os danos que causar e aceitar que, mesmo agindo com honestidade, nem sempre será compreendido.
A maturidade não consiste em deixar de se importar com o que os outros pensam, mas em deixar de depender da aprovação deles para autorizar a própria existência.
E talvez a pergunta que mereça acompanhar sua reflexão seja esta: Se eu não pudesse garantir que o outro continuará gostando de mim, o que eu ainda teria coragem de dizer, de escolher e de viver?
A resposta pode revelar o quanto de sua vida tem sido conduzido pelo desejo de existir e o quanto tem sido sacrificado para evitar a possibilidade de ser rejeitado.
Porque amar o próximo não significa viver prisioneiro de sua aprovação. E confiar na graça de Deus não significa tornar-se indiferente ao julgamento humano, mas aprender a não fazer dele o fundamento último de sua identidade.