TRAZ UMA CORDA PRA MIM
Gritei: tragam uma corda para o fundo!
Há um homem esquecido na escuridão!
Salvem-no desse abismo tão profundo,
Antes que o barro lhe aprisione o coração!
Gritei contra a indiferença deste mundo,
Contra o silêncio, a dor e a solidão;
Mas, no meu próprio grito, vi, perplexo,
A minha imagem presa à mesma condição.
Pois quem sou eu para exigir que suba,
Se também temo a luz que vem de fora
E busco abrigo quando a vida é dura?
A voz que o chama é a voz que implora:
Não o mundo, o medo, a luta, a chuva...
Traz a corda. Eu também quero ir embora.
O poema fala sobre a minha vulnerabilidade, a minha solidão e o reconhecimento de que, ao tentar salvar o outro, também posso estar perdido em minhas próprias dores.
Ao denunciar a indiferença do mundo diante do sofrimento alheio, percebo que também estou aprisionado em meus medos, conflitos e angústias.
A corda simboliza a esperança, o acolhimento e a possibilidade de libertação. No fim, descubro o paradoxo da minha própria existência: enquanto tento oferecer socorro, também clamo por socorro.
Reconheço, portanto, que não sou inteiramente forte nem autossuficiente. Às vezes, ao tentar salvar o outro, descubro que também preciso de uma mão estendida.