DO BARRO AO VERBO
UMA TRAVESSIA NORDESTINA DE PENSAMENTOS
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Textos

TRAZ UMA CORDA PRA MIM

Gritei: tragam uma corda para o fundo!

Há um homem esquecido na escuridão!

Salvem-no desse abismo tão profundo,

Antes que o barro lhe aprisione o coração!

Gritei contra a indiferença deste mundo,

Contra o silêncio, a dor e a solidão;

Mas, no meu próprio grito, vi, perplexo,

A minha imagem presa à mesma condição.

Pois quem sou eu para exigir que suba,

Se também temo a luz que vem de fora

E busco abrigo quando a vida é dura?

A voz que o chama é a voz que implora:

Não o mundo, o medo, a luta, a chuva...

Traz a corda. Eu também quero ir embora.

O poema fala sobre a minha vulnerabilidade, a minha solidão e o reconhecimento de que, ao tentar salvar o outro, também posso estar perdido em minhas próprias dores.

Ao denunciar a indiferença do mundo diante do sofrimento alheio, percebo que também estou aprisionado em meus medos, conflitos e angústias.

A corda simboliza a esperança, o acolhimento e a possibilidade de libertação. No fim, descubro o paradoxo da minha própria existência: enquanto tento oferecer socorro, também clamo por socorro.

Reconheço, portanto, que não sou inteiramente forte nem autossuficiente. Às vezes, ao tentar salvar o outro, descubro que também preciso de uma mão estendida.

Jeovan Rangel
Enviado por Jeovan Rangel em 17/10/2026
Alterado em 18/10/2026