DO BARRO AO VERBO
UMA TRAVESSIA NORDESTINA DE PENSAMENTOS
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ESTRANHO QUE HABITA EM MIM

Fui tantos para não desaparecer,

Vesti o silêncio e disfarcei a dor;

Fiz da existência um modo de esconder

As cicatrizes que deixou o amor.

Fui fortaleza quando quis ceder,

Fui calmaria em meio ao dissabor;

E, para o mundo inteiro não perceber,

Matei em mim a voz do meu clamor.

Hoje, no espelho, um estranho me olha,

Tem meus traços, conhece o que vivi;

Mas não responde à dor que me recolha.

Busco o que resta do que fui em mim;

E, enquanto a voz soterrada não se encolha,

Talvez eu volte a me encontrar, enfim.

Jeovan Rangel
Enviado por Jeovan Rangel em 16/10/2026
Alterado em 17/10/2026