A SOLIDÃO ME HABITA
A solidão me acolhe
na vastidão do que sou.
Não me exige palavras,
nem pergunta por que me calo,
nem cobra explicações
pelos silêncios que carrego.
Com ela, posso repousar
sem precisar parecer inteiro,
sem vestir sorrisos
para disfarçar os abismos,
sem traduzir em palavras
aquilo que nem eu compreendo.
Por isso, deixo a cabeça pender
sobre a mesa fria da sala
e permito que a noite me encontre
sem testemunhas, sem disfarces.
Não peço à solidão que me salve,
nem lhe atribuo virtudes
que talvez ela não possua.
Basta-me saber
que, entre tantas presenças ausentes,
há momentos em que estar só
é não precisar implorar
para ser compreendido.