DIFERENTE, MAS, IGUAL - Isaías 53
Quando leio o retrato que o profeta traça do Messias, fico extasiado. Acho que, nesse caso, Isaías não sabia exatamente o que estava escrevendo, (não entenda como psicografia) porque foi completamente conduzido por Deus em seu processo criativo.
Séculos antes de Cristo, o profeta descreve, com uma riqueza impressionante de detalhes, aquele que haveria de vir como o Servo Sofredor. Poucos creram na pregação de Jesus. Entre os que creram, muitos eram crianças, mulheres, pobres e pessoas marginalizadas. Até hoje não é assim? Jesus não parecia divino. Nada havia nele que “denunciasse” aos olhos humanos a sua divindade. Pelo contrário, era uma pessoa comum. Não veio cercado de pompa, poder político ou aparência de majestade. Veio em humildade.
Isaías já havia anunciado: “Não tinha parecer nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse.” O Messias viria de uma maneira que contrariaria as expectativas humanas. Deus se aproximaria de nós sem aquilo que normalmente usamos para reconhecer grandeza.
Jesus foi tentado como nós somos, mas não caiu, como nós caímos. Conheceu a fome, o cansaço, a rejeição, a tristeza e a dor. Chorou. Sofreu. Foi desprezado. Foi negado por um de seus discípulos, traído por outro e assassinado a pedido de seus próprios patrícios. Foi contado entre os transgressores, embora não tivesse cometido pecado.
Isaías o chama de “homem de dores e que sabe o que é padecer”. E aqui está o mistério da encarnação: ele é diferente de nós, mas se fez semelhante a nós. Diferente em sua divindade, igual em sua humanidade. Sendo Deus, fez-se homem; sendo santo, entrou em nossa condição humana; sendo inocente, tomou sobre si a culpa dos culpados.
Mas o sofrimento de Cristo não foi simplesmente uma tragédia humana. Isaías nos conduz para além da aparência dos acontecimentos. Ele nos revela o sentido redentor da cruz: “Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades.”
Aquele que não tinha pecado tomou sobre si o nosso pecado. Jesus foi ferido, mas não por causa de suas próprias transgressões. Foi ferido pelas nossas. Foi esmagado para que não fôssemos esmagados; castigado para nos deixar a paz; ferido para que fôssemos sarados; oprimido para que ficássemos livres.
“O castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.” Aqui está o coração do evangelho: o que era nosso foi colocado sobre ele, para que aquilo que era dele pudesse ser concedido a nós. Nossa culpa sobre seus ombros; sua justiça sobre nós. Nossa condenação sobre a cruz; sua graça sobre nossa vida. Nosso pecado sobre ele; sua paz sobre aqueles que nele creem.
Isaías continua dizendo: “Como cordeiro foi levado ao matadouro e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca.” Jesus não respondeu à violência com violência. Não precisou defender sua inocência diante daqueles que o condenavam. Entregou-se. Na cruz, pediu ao Pai que perdoasse aos seus algozes, porque eles não sabiam o que estavam fazendo.
E, quando tudo parecia terminar em fracasso, Isaías anuncia algo extraordinário: a morte não teria a última palavra. Depois de sua humilhação e de seu sofrimento, o Servo “verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito”. Seus dias seriam prolongados. Sua obra não terminaria no túmulo.
É aqui que a profecia encontra sua plenitude em Cristo. Aquele que foi desprezado é exaltado. Aquele que foi ferido é o Salvador. Aquele que morreu é o Ressuscitado. Aquele que carregou nossas iniquidades é o Justo que justifica a muitos. Por isso, não podemos pensar em Jesus apenas como um sábio, um mestre ou um homem extraordinário. Isaías 53 nos conduz muito além disso. Ele nos apresenta o Servo Sofredor, aquele que sofre não apenas diante de nós, mas por nós.
Jesus é, portanto, diferente, mas igual. Diferente de nós em sua divindade, porém igual a nós em sua humanidade. Diferente porque é o Filho eterno, mas igual porque se fez carne. Diferente porque é sem pecado, mas igual porque entrou verdadeiramente em nossa condição humana. Diferente porque é o Salvador, mas igual porque tomou sobre si a nossa dor.
Eis o paradoxo da cruz: aquele que não merecia morrer morreu em nosso lugar; aquele que não tinha pecado levou o pecado de muitos; aquele que era Justo sofreu pelos injustos; aquele que era Senhor tornou-se Servo.
É por isso que não dá para pensar nele apenas como um sábio. Isaías 53 nos mostra que a cruz não foi o fracasso de Jesus, mas o lugar onde o amor de Deus se revelou em sua profundidade. O Servo foi esmagado, mas não derrotado; ferido, mas não vencido; morto, mas não permaneceu na morte.
Por isso, seguir Jesus não é apenas admirar seus ensinamentos ou tentar reproduzir seu comportamento. É reconhecer no Crucificado o Messias anunciado pelo profeta, o Cordeiro que levou nossos pecados, o Justo que sofreu pelos injustos e o Ressuscitado que nos chama para uma nova vida.
Quando olhamos para Isaías 53, percebemos que Jesus não veio simplesmente para nos ensinar um caminho. Ele próprio é o caminho que Deus abriu através de sua morte e ressurreição.
Que o Senhor Jesus, o Messias anunciado por Isaías, seja o centro da nossa fé, da nossa esperança e da nossa vida. E que, contemplando aquele que foi ferido por nossas transgressões, aprendamos a morrer para nós mesmos e a viver para aquele que morreu e ressuscitou por nós.
Que o Senhor Jesus, o Messias, nos conceda uma semana de graça sobre graça e nos ensine a seguir os passos daquele que, sendo tão diferente de nós, aproximou-se de nós de maneira tão profunda. Amém!
Autor: Jeovan Rangel