DO BARRO AO VERBO
UMA TRAVESSIA NORDESTINA DE PENSAMENTOS
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Textos

POESIA EM GLOSA

MEU RISO É FRÁGIL

MOTE

“Meu riso é frágil, uma máscara fina,

Por trás, o vazio, uma dor que ensina.

Cercada de rostos, ainda sou só,

Como árvore esquecida, fincada no pó”.

(Peregrina)

GLOSA

Guardo a dor no meu peito,

sem ninguém dela saber;

faço do riso um disfarce,

para a tristeza esconder.

Se me perguntam, sorrio,

mas por dentro me desvio,

num silêncio sem guarida;

e vou seguindo a rotina,

feito quem brinca com a sina:

Meu riso é frágil, uma máscara fina.

Tenho a alma tão cansada,

de esperar sem ter resposta;

cada sonho desbotado

deixa uma sombra na porta.

Há um vazio tão profundo

que nem todo amor do mundo

consegue fazê-lo cessar.

E, quando a noite vem,

sei que ela conhece também

Por trás, o vazio, uma dor que ensina.

Vejo amigos ao meu lado,

vejo vozes pelo chão;

mas meu peito permanece

preso à própria solidão.

Há tanta gente por perto,

mas o meu caminho é deserto,

andando em meio ao pó.

O que meu silêncio me diz

que mesmo buscando um lugar,

Cercada de rostos, ainda sou só.

Fui árvore sem cuidado,

sob o sol, chuva e abandono;

dei meus frutos, dei meus ramos,

mas ninguém ouviu meu outono.

Hoje, embora sem folhas,

guardo raízes tão fortes

que ainda procuram o chão.

Se a vida me fez tão só,

continuo de pé, porém,

Como árvore esquecida, fincada no pó.

Jeovan Rangel
Enviado por Jeovan Rangel em 16/09/2026
Alterado em 16/09/2026