POESIA EM GLOSA
MEU RISO É FRÁGIL
MOTE
“Meu riso é frágil, uma máscara fina,
Por trás, o vazio, uma dor que ensina.
Cercada de rostos, ainda sou só,
Como árvore esquecida, fincada no pó”.
(Peregrina)
GLOSA
Guardo a dor no meu peito,
sem ninguém dela saber;
faço do riso um disfarce,
para a tristeza esconder.
Se me perguntam, sorrio,
mas por dentro me desvio,
num silêncio sem guarida;
e vou seguindo a rotina,
feito quem brinca com a sina:
Meu riso é frágil, uma máscara fina.
Tenho a alma tão cansada,
de esperar sem ter resposta;
cada sonho desbotado
deixa uma sombra na porta.
Há um vazio tão profundo
que nem todo amor do mundo
consegue fazê-lo cessar.
E, quando a noite vem,
sei que ela conhece também
Por trás, o vazio, uma dor que ensina.
Vejo amigos ao meu lado,
vejo vozes pelo chão;
mas meu peito permanece
preso à própria solidão.
Há tanta gente por perto,
mas o meu caminho é deserto,
andando em meio ao pó.
O que meu silêncio me diz
que mesmo buscando um lugar,
Cercada de rostos, ainda sou só.
Fui árvore sem cuidado,
sob o sol, chuva e abandono;
dei meus frutos, dei meus ramos,
mas ninguém ouviu meu outono.
Hoje, embora sem folhas,
guardo raízes tão fortes
que ainda procuram o chão.
Se a vida me fez tão só,
continuo de pé, porém,
Como árvore esquecida, fincada no pó.