Eu não quero ser credor de nenhuma dor que me deram.
“Ah, me machucaram um pouquinho!”
Mas eu já feri alguém quase até a morte.
E mesmo quando fui remédio, não consegui devolver a pele sem deixar cicatriz.
Por isso, a conta nunca fecha.
Então eu vou me despojando, despejando pelo caminho uma ou outra tonelada dos fardos que carrego e que, na verdade, nunca foram inteiramente meus.
Literalmente, tudo o que está além de mim precisa encontrar um lugar onde eu não esteja.
Não tenho orgulho dos meus monstros.
Vergonha? Também não.
Há coisas em mim que não reconheço o suficiente para odiá-las ou amá-las.
Sou-me tão alheio que até a culpa parece vestir em mim uma roupa de outro homem.
“Desajustado.”
Gosto desse som.
Talvez porque há alguma liberdade em não caber onde nunca fui feito para caber.