A RAZÃO E O MISTÉRIO
Deus meu! Antes que eu fosse, Tu já eras;
Antes do tempo, havia em Ti o ser.
Eu vim das sombras, das antigas eras,
Mas não compreendo ainda o meu nascer.
Sou pó que pensa, carne que pergunta,
Alma inquieta diante do infinito;
Minha razão, embora às vezes presunta,
Não alcança os segredos do Absoluto.
Procuro a origem na matéria fria,
Interrogo o espaço, o tempo e a criação;
Mas cada resposta abre uma nova via
E cada certeza gera outra questão.
Que sou eu senão efeito passageiro,
Fragmento de uma ordem que não vejo?
Um viajante perdido no roteiro,
Tentando transformar mistério em desejo?
A dor talvez não seja simplesmente queda,
Nem o sofrimento um absurdo universal;
Talvez exista uma verdade que preceda
O limite estreito da razão mortal.
Se o céu permanece oculto aos meus olhos,
Não significa que esteja ausente de mim;
Há silêncios que dizem mais que discursos,
Verdades que começam onde termina o fim.
Permaneço: pequeno diante do eterno,
Entre a dúvida humana e a fé que conduz;
Sou pó diante do cosmos, mas, no entanto,
Há dentro em mim uma pergunta que é luz.