INVENTÁRIO DA ALMA
No fim da estrada onde meus passos vão cessar,
contemplo o rumo que a vida me traçou.
Entre espinhos e flores aprendi a caminhar,
e fui o homem que o tempo lapidou.
Se muito chorei, também soube cantar;
se muito perdi, muito mais em mim ficou.
Nenhuma noite impediu o sol de voltar,
nem toda tristeza meu espírito curvou.
Quando a morte vier cerrar meus horizontes,
não levarei riquezas, glórias ou ostentação;
levarei apenas meus íntimos confrontos
e a paz conquistada em cada superação.
Aqueles que me amaram, deixarei minhas fontes;
aos demais, o silêncio sereno da recordação.