O CANTO DAS FERIDAS
Chamam-me o poeta da dor e da tristeza, Porque em meus versos habita a realidade;
Mas canto a vida em toda a sua natureza, Com fé, razão, esperança e sobriedade.
Não faço da aflição minha morada,
Nem da amargura a voz do coração;
É que toda alma, um dia, machucada, Converte suas feridas em canção.
Se escrevo a dor, é porque ela existe,
Não porque em seu abismo eu queira viver;
Quem foge da verdade logo desiste.
Meu verso faz da lágrima um saber;
Pois a poesia, quando sincera, insiste
Em transformar o sofrer num renascer.