DO BARRO AO VERBO
UMA TRAVESSIA NORDESTINA DE PENSAMENTOS
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CÂNTICO DO ERRANTE

Peregrino sou dos ermos da existência,

Levo a cruz sem jamais esmorecer;

Conheço, enfim, a vil indiferença,

E aprendo, em silêncio, a sobreviver.

Toda esperança viceja entre espinhos,

Toda alegria se desfaz qual tênue ar;

Percorro, só, os mais sombrios caminhos,

Sem encontrar um peito a me amparar.

Ergo castelos sobre o pó da esperança,

No afã de ao mundo inteiro me entregar;

Mas o destino, em sua ímpia vingança,

Converte meus ideais em lento pesar.

Sigo errante, sem renunciar à confiança;

Meu cântico é sofrer... sem me curvar.

Jeovan Rangel
Enviado por Jeovan Rangel em 27/06/2026