CÂNTICO DO ERRANTE
Peregrino sou dos ermos da existência,
Levo a cruz sem jamais esmorecer;
Conheço, enfim, a vil indiferença,
E aprendo, em silêncio, a sobreviver.
Toda esperança viceja entre espinhos,
Toda alegria se desfaz qual tênue ar;
Percorro, só, os mais sombrios caminhos,
Sem encontrar um peito a me amparar.
Ergo castelos sobre o pó da esperança,
No afã de ao mundo inteiro me entregar;
Mas o destino, em sua ímpia vingança,
Converte meus ideais em lento pesar.
Sigo errante, sem renunciar à confiança;
Meu cântico é sofrer... sem me curvar.