DO BARRO AO VERBO
UMA TRAVESSIA NORDESTINA DE PENSAMENTOS
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ABISMOS DA ALMA

Mísero fado que me arrasta ao pó da terra,

Onde meu corpo um dia há de repousar;

Tantas batalhas travei nesta cruel guerra,

E só o silêncio me restou por habitar.

Foram açoites o salário desta lida;

Nenhuma mão me veio o pranto enxugar.

Peregrino fui das veredas da ferida,

Condenado, sem defesa, a sempre caminhar.

Sonhei erguer um mundo mais humano,

Servindo a todos sem jamais esmorecer;

Mas o destino, soberano e desumano,

Fez da esperança um lento fenecer.

Ainda levo, mesmo entre o desengano,

A dignidade que a dor não pôde vencer.

Jeovan Rangel
Enviado por Jeovan Rangel em 27/06/2026
Alterado em 27/06/2026