ABISMOS DA ALMA
Mísero fado que me arrasta ao pó da terra,
Onde meu corpo um dia há de repousar;
Tantas batalhas travei nesta cruel guerra,
E só o silêncio me restou por habitar.
Foram açoites o salário desta lida;
Nenhuma mão me veio o pranto enxugar.
Peregrino fui das veredas da ferida,
Condenado, sem defesa, a sempre caminhar.
Sonhei erguer um mundo mais humano,
Servindo a todos sem jamais esmorecer;
Mas o destino, soberano e desumano,
Fez da esperança um lento fenecer.
Ainda levo, mesmo entre o desengano,
A dignidade que a dor não pôde vencer.