O CANTO DO DESENGANO
Sou viajante da noite sob estrelas,
Com a alma enferma em lenta consumição;
Foram miragens, doces e tão belas,
Que envenenaram meu pobre coração.
Jamais soube vestir falsas cautelas,
Nem traficar afeto ou devoção;
Amei demais nas horas mais singelas,
E fiz do amor a minha religião.
Hoje caminho entre sombras amarelas,
Prisioneiro da má resignação;
Que sina amarga ergueu tais sentinelas?
A dor governa minha embarcação,
E eu transformo em versos as sequelas,
Poeta do lamento e da paixão.