DO BARRO AO VERBO
UMA TRAVESSIA NORDESTINA DE PENSAMENTOS
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Textos

O CANTO DO DESENGANO

Sou viajante da noite sob estrelas,

Com a alma enferma em lenta consumição;

Foram miragens, doces e tão belas,

Que envenenaram meu pobre coração.

Jamais soube vestir falsas cautelas,

Nem traficar afeto ou devoção;

Amei demais nas horas mais singelas,

E fiz do amor a minha religião.

Hoje caminho entre sombras amarelas,

Prisioneiro da má resignação;

Que sina amarga ergueu tais sentinelas?

A dor governa minha embarcação,

E eu transformo em versos as sequelas,

Poeta do lamento e da paixão.

Jeovan Rangel
Enviado por Jeovan Rangel em 05/06/2026