ELEGIA DE UM CORAÇÃO ERRANTE
Sob o manto da noite e seu luzeiro,
Vejo morrer meu sonho em aflição;
Foram sombras servidas por sendeiro,
Que iludiram de esperança o coração.
Nunca fui mercador ou trapaceiro,
Mas um servo da antiga inspiração;
O amor, meu derradeiro companheiro,
Transformou cada lágrima em canção.
Qual nascente perfumada do alfeneiro,
Arrasto os dias na desolação;
Destino atroz! Funesto cativeiro!
Carrego a cruz da amarga vocação,
Fazendo desta dor meu cancioneiro,
Entre suspiros, pranto e solidão.