DO BARRO AO VERBO
UMA TRAVESSIA NORDESTINA DE PENSAMENTOS
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QUEM AMA CULTIVA

Se há um dispositivo que rege todas as Sagradas Escrituras e que determina o resultado final de nossa caminhada, é o princípio da semeadura. Colhemos aquilo que plantamos, e isso se aplica em todos os sentidos da vida, mesmo que seja em uma simples amizade. Quando o assunto é relacionamento familiar, principalmente casamento, isso se torna muito mais circunspecto e sério.

Quando queremos colher laranja de um laranjal, não plantamos manga. Plantamos laranja. O gatilho que dispara os problemas em um relacionamento é nunca estarmos dispostos a dar, plantar e cultivar. Só queremos colher, receber! Queremos que o outro mude, mas não estamos dispostos a mudar. Queremos que o outro faça, mas não queremos fazer.

Por que agimos assim? Os motivos são variados, mas quero apenas alistar um: a falta de amor! Se não há amor, não há tolerância, não há compaixão, não há gentileza, não há prazer em servir. E tudo soará como obrigação. Nenhum de nós quererá fazer qualquer coisa se estivermos nos sentindo obrigados. Até mesmo um “simples” beijo, se for pedido e dado por uma questão de dever, perderá o seu legítimo valor.

Precisamos saber definir, dentro do casamento, aquilo que nos é dever, responsabilidade e obrigação, daquilo que é regido pelo amor. Eu amo, eu faço! Se eu quero fazer sexo com o meu cônjuge, devo fazê-lo sob o governo do amor, para que eu receba também, pela mesma égide, o amor. Se eu desejo ser tratado de maneira cortês e delicada por quem quer que seja, devo também dispensar a quem quer que seja o mesmo procedimento.

O amor deve ser a força motriz a me compelir a externar atitudes que me definem como o ser humano que sou. É assim que nos tornamos pessoas melhores.

Algo interessante que precisamos entender: o amor que sentimos deve ser demonstrado. Não adianta você morrer de amores e nunca demonstrá-lo.

“Ah, pastor, eu amo muito minha esposa! O senhor não tem ideia!”

Sim, mas é para mim que você tem que demonstrar e dizer isso? Não! É para ela. É para ele.

E de que maneira você pode fazer isso? Dizendo. Olhando nos olhos. Diga todos os dias, todas as horas, por torpedo, SMS, com sinais de fumaça no céu, com faixas esticadas nas ruas e, principalmente, pelas boas atitudes. Seja gentil, cortês e delicado. Delicadeza não roubará de você sua masculinidade. Você só precisará dela na cama. Trate bem o seu cônjuge.

Isso é investir em amor. Fazendo isso, você sempre terá muito amor em depósito e, quando quiser sacar, fará isso com toda facilidade. Sua conta terá saldo positivo.

Há, em Gálatas 5, um fruto do Espírito que, para mim, é o mais difícil de ser praticado: a paciência. A paciência é demonstração de amor. Todavia, quando amamos de verdade, ela se torna fácil de ser exercida. É a razão que faz uma mãe passar noites e noites acordada, debruçada sobre um berço, acalentando com toda ternura o filho que chora dias e noites consecutivas. Ela está cansada, estressada, só o pó da rabiola, mas exerce toda a paciência. Por quê? Porque ela o ama.

Assim devemos ser com todos! Lembre-se: Jacó trabalhou pacientemente para Labão mais sete anos para ter Raquel como esposa (Gênesis 29.30).

O trabalho é demonstração de amor! Quando fazemos qualquer coisa para o nosso cônjuge, estamos dizendo: “Eu amo você!”. O sapato nos pés para ele calçar. O copo com água que ela pediu para beber. A louça que ela pediu para que você lavasse. A calça que ele pediu para que você passasse, mesmo que fosse para ele se encontrar com os amigos sem a sua presença. Qualquer coisa! Lembre-se: tudo isso é investimento.

O homem que ama a mulher sempre trabalhará para vê-la bem. A recíproca é verdadeira. Quando nos esforçamos para conquistar, estamos dizendo: “Você é importante para mim, e seu amor é sem igual”. Ligar todos os dias e todas as horas. Saber como foi o dia. Ter paciência para ouvir o outro, olhando olho no olho. Às vezes, são esforços que fazemos para demonstrar o valor daquela pessoa para nós. Isso é cultivar.

Você semeia, planta, mas também tem que cultivar. Cultivar para não morrer. Em outras palavras, é ter persistência. Se não persistirmos no cultivo de nossos relacionamentos, eles poderão morrer.

Lembra-se daquele amigo ou amiga que lhe era como um irmão? Vocês eram quase siameses. Onde ele está? Não sabe? Ah! A amizade acabou, feneceu, morreu! Deixe-me dizer uma coisa para você: ela deixou de ser regada.

Assim é com todo relacionamento. Não existe amor que não se acabe, exceto o amor de Deus. Esse é inesgotável. O amor precisa ser revelado em toda e qualquer ocasião. Cada momento é uma oportunidade que a vida nos dá a fim de provarmos o nosso amor.

Se você espera, um dia, receber uma gentileza de alguém, seja gentil! Se você deseja ser tratado com carinho, respeito e consideração, pratique o carinho, tenha consideração e respeito com os outros. Para você colher, é preciso que semeie e cultive. Essa é uma lei básica da vida: é dando que se recebe.

Outra coisa interessante: ninguém planta fora de estação ou quando o tempo se apresenta ruim. Em seus relacionamentos, não espere os momentos ruins chegarem para que você possa investir. Invista, principalmente, quando tudo estiver bem.

Há muita gente que espera a vida, o casamento e a família virarem um caos para investir; e aí, às vezes, já é um pouco tarde demais.

Vamos investir em nossos relacionamentos agora! Este mês estamos tendo todas as oportunidades possíveis e cabíveis para que possamos fazer mudanças e investimentos. Então, coloquemos em prática hoje!

SANCTÍSSIMA TRINITAS, GLORIAM, HONOREM

ET BENEDICTIONEM

Autor: Rev. Jeovan Rangel

Prado, Bahia, 24 de Maio de 2013.

Jeovan Rangel
Enviado por Jeovan Rangel em 24/05/2026