DO BARRO AO VERBO
UMA TRAVESSIA NORDESTINA DE PENSAMENTOS
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Textos

ELEGIA AO ÚLTIMO CANTO

Quando eu dormir, amigo, no sepulcro esquecido,

Não cubras minha ausência com teu pesar profundo;

Fui apenas um homem pelas dores consumido,

Mais uma sombra errante atravessando o mundo.

Nunca encontrei abrigo em meu peito abatido,

Nem a luz prometida aos amantes deste mundo;

Meu espírito cansado, ao sofrimento rendido,

Fez do verso um refúgio melancólico e fecundo.

Quando meu pobre corpo estiver frio e vencido,

Livre enfim desta peça de sarcasmo infecundo,

Que os vermes silenciosos cumpram seu cometido

Sobre o triste poeta que jamais foi oriundo

Da alegria dos homens. E então, já dissolvido,

Meu canto há de perder-se nos abismos do profundo.

Jeovan Rangel
Enviado por Jeovan Rangel em 20/05/2026
Alterado em 21/05/2026