ELEGIA AO ÚLTIMO CANTO
Quando eu dormir, amigo, no sepulcro esquecido,
Não cubras minha ausência com teu pesar profundo;
Fui apenas um homem pelas dores consumido,
Mais uma sombra errante atravessando o mundo.
Nunca encontrei abrigo em meu peito abatido,
Nem a luz prometida aos amantes deste mundo;
Meu espírito cansado, ao sofrimento rendido,
Fez do verso um refúgio melancólico e fecundo.
Quando meu pobre corpo estiver frio e vencido,
Livre enfim desta peça de sarcasmo infecundo,
Que os vermes silenciosos cumpram seu cometido
Sobre o triste poeta que jamais foi oriundo
Da alegria dos homens. E então, já dissolvido,
Meu canto há de perder-se nos abismos do profundo.