METAFÍSICA DA ANGÚSTIA
Que faço, Senhor, nesta esfera maldita,
Girando entre dores e sombras fatais?
Minha alma vagueia cansada, aflita,
Sedenta de causas primeiras e finais.
Nasci para quê? Qual oculta sentença
Conduz meus passos ao pó derradeiro?
A vida me envolve em estranha descrença,
E o tempo me arrasta qual frio coveiro.
Procuro no caos uma lógica pura,
Um eixo invisível, uma explicação;
Mas tudo me soa distante e obscura
Nesta arquitetura da criação.
As velhas verdades ruíram no vento,
Dogmas tombaram no chão da razão;
E eu sigo sozinho, em feroz desalento,
Tentando decifrar meu próprio coração.
Ó cosmos imenso de leis insondáveis,
De astros suspensos na noite sem fim,
Será que os mistérios eternos e imutáveis
Ocultam a chave guardada em mim