“TEIA INVISÍVEL”
Ventura austera, mão desconhecida,
Por que conduz meu ser por tal rigor?
Fizeste amarga a estrada desta vida
E revestiste o tempo de temor.
Por vezes o protesto me consome,
E a alma anseia o direito de romper;
Mas cada dor que silenciosa some
Parece um novo modo de crescer.
Não creio no acaso dissoluto,
Nem no destino cego e sem razão;
Há uma ordem por detrás do luto,
Movendo os fios da criação.
Estamos todos presos ao existir,
Na mesma teia oculta do porvir.