SOB O IMPÉRIO DO FADO
Que intentas tu, ventura silenciosa,
Ao me lançar em trilha tão cruel?
Teu jugo antigo, austero e nebuloso,
Paira incessante sobre o céu e o fel.
Às vezes sou tomado pela ira,
E o peito arde em surda inquietação;
Mas penso que a existência só suspira
Quando atravessa a dor da provação.
Não vejo o acaso como lei do mundo,
Nem o destino cego a governar;
Há algo mais, profundo e fecundo,
Tecendo o humano em secreto altar.
Vivemos presos por oculto elo,
Sob leis eternas de um poder singelo.