DETERMINISMO DA ALMA
Ó força antiga, oculta e soberana,
Que escreves meu destino sem cessar,
Fizeste desta estrada tão insana
O chão difícil onde devo andar.
Por vezes clama em mim a rebeldia,
Qual fera presa em cárcere sombrio;
Mas creio haver na dor sabedoria
Que purifica o coração vazio.
Não vejo o mundo entregue ao desatino,
Nem creio que o acaso seja rei;
Há fios invisíveis no destino
Que unem tudo quanto já sonhei.
E o homem, embora julgue ser senhor,
É servo de mistérios e do amor.