O NOME DO PAI
Teu nome, pai, ressoa como ruína
Nas galerias mudas da lembrança;
Há uma tristeza funda e repentina
Sepultando os escombros da esperança.
Procuro ainda o homem escondido
Sob a armadura amarga do teu rosto;
Talvez houvesse um sonho adormecido
Num coração ao sofrimento exposto.
Mas nunca te alcancei por inteiro,
Nem tu pudeste ver quem eu me fazia;
Vivemos separados por um nevoeiro
De mágoa, ausência e melancolia.
Hoje te chamo no silêncio vão,
E apenas a distância estende a mão.