FUNERAIS DA ALMA
Pai, há funerais dentro de mim
Que o tempo não sepulta nem consola;
Teu vulto permanece, triste e ruim,
Como fumaça presa numa escola.
Em teu silêncio habitava um abismo,
Uma região sem luz e sem chegada;
E eu confundia amor com cataclismo,
Carência com presença malograda.
Não pude te salvar da tua queda,
Nem impedir teu lento desconcerto;
Cada memória tua é sombra queda
Num coração cansado e descoberto.
E ao pronunciar teu nome sobre o nada,
Só me responde a noite abandonada.