PAI AUSENTE
Pai, teu silêncio foi a minha herança,
Um quarto escuro dentro da memória;
Cresci buscando em ti alguma esperança
Entre ruínas secas da tua história.
Teu nome pesa como antiga pedra
Sobre os desvãos cansados do meu peito;
A dor que o tempo lentamente medra
Transforma afeto em sofrimento estreito.
Não posso regressar àquela estrada,
Nem reviver o que morreu contigo;
Há sempre uma distância condenada
Separando o amor do desabrigo.
Quando à noite chamo por teu nome,
O eco do abandono me consome.