ECONOMIA DO AFETO
Não sentem vós? A verdade, solitária,
Nasce do atrito vil das multidões;
Flor de silêncio em terras ordinárias,
Perdida entre egoísmos e ilusões.
Chamais amor ao cálculo medido,
Ao lucro emocional das relações;
“Só dou se houver retorno prometido”,
Dizeis nas frias contabilizações.
Erguestes cercas sobre a própria vida,
Arames sobre afetos e ternuras;
E a alma, pouco a pouco, comprimida,
Sufoca entre estreitezas e clausuras.
Enquanto eu, deste lado, em ironia,
Espero o fim da vossa hipocrisia.