ESCRAVO DE CRISTO: A GLÓRIA QUE O MUNDO NÃO COMPREENDE
Vivemos dias em que o evangelho, em muitos contextos, foi sequestrado pelo desejo humano de grandeza. Títulos se multiplicam, honrarias são criadas e posições são disputadas como se o Reino de Deus fosse uma estrutura de poder semelhante aos sistemas deste mundo. Apóstolos, patriarcas, bispos e designações cada vez mais grandiosas surgem como tentativas de afirmar autoridade e identidade. No entanto, quando voltamos os olhos para a vida de Paulo de Tarso, encontramos um contraste desconcertante.
Paulo tinha todas as credenciais que poderiam legitimá-lo diante dos homens. Foi instrumento de milagres, fundador de igrejas, teólogo profundo e missionário incansável. Ainda assim, recusou construir para si uma identidade baseada em títulos honoríficos. Em vez disso, escolheu um nome que o mundo despreza: escravo de Cristo.
Ser escravo implica renúncia de direitos, submissão total e pertencimento absoluto a outro. Paulo não se via como dono de um ministério, mas como propriedade de um Senhor. Sua identidade não estava no reconhecimento dos homens, mas na obediência Àquele que o chamou.
Enquanto hoje muitos buscam ser servidos, Paulo se ofereceu para servir. Enquanto muitos buscam aplausos, Paulo suportou açoites. Enquanto muitos buscam conforto, Paulo enfrentou prisões. Enquanto muitos buscam glória, Paulo abraçou a cruz.
Há aqui uma verdade espiritual profunda: no Reino de Deus, a grandeza não está no título que você carrega, mas no Senhor a quem você pertence.
O verdadeiro ministério não nasce da necessidade de ser reconhecido, mas da disposição de se esvaziar.
O verdadeiro chamado não é uma ascensão ao prestígio, mas uma descida à humildade. O verdadeiro líder não é aquele que acumula honras, mas aquele que se torna servo. Ser escravo de Cristo é perder o direito de viver para si mesmo e ganhar o privilégio de viver para Deus.
E paradoxalmente, é nessa escravidão que está a verdadeira liberdade. Porque aquele que pertence a Cristo não precisa provar mais nada ao mundo. Ele já sabe quem é. E sabe de quem é.
Autor: Jeovan Rangel
Prado, Bahia, 14 de Fevereiro de 2020.