ECO DA AUSÊNCIA
Se por alguma razão, me esqueces,
A solidão poderá chegar mais feroz.
Culpo Deus por não ouvir as preces.
Que suplico por Ti, até perder a voz.
Nunca imaginei que esse dia viesse
Já que sempre fiz o melhor por nós...
Se por alguma razão, me esqueces,
A solidão poderá chegar mais feroz.
Trazendo dor para quem já padece
A solidão daqueles que vivem à sós,
Com a ausência que me enlouquece,
E cuja falta, faz do amor, meu algoz,
Se por alguma razão, me esqueces…
(Jacó Filho)
Não falo de um “tu”, mas da ausência,
Que a tantos fere, cedo ou após;
É a dor antiga que não cessa
E insiste viva dentro de nós.
Quando o silêncio pesa na prece
E Deus parece distante de nós,
Repete-se o clamor que conheces:
A solidão poderá chegar mais feroz.
Há quem suporte, há quem padeça
Da falta que desestrutura a voz;
Pois quando o amor não permanece,
Faz da memória seu algoz.
E assim, teu verso não envelhece:
Ecoa em todos — um de nós.
Se por alguma razão, me esqueces,
A solidão poderá chegar mais feroz.
(Jeovan Rangel)