ESPERANÇA NO BOLSO VAZIO
É difícil, meu amigo,
viver com o dinheiro contado,
cortar gasto, apertar o cinto,
pra manter tudo alinhado.
A gente sua, se esforça,
e ainda assim, no fim da noite,
tem conta pra todo lado.
Às vezes o dia amanhece
com cobrança no portão:
é luz, água e aluguel
batendo forte no chão.
E o coração dá um aperto,
porque o bolso anda deserto
feito roçado na seca do sertão.
E a gente segue esperando
um milagre aparecer,
uma chance, uma virada,
um respiro pra sobreviver.
Mas no jogo da vida dura,
quem é que paga pra ver?
Quem aposta na fartura
quando a luta quer vencer?
A vida é rocha pesada,
erguida no alto do mundo;
e nós, simples caminhantes,
vamos carregando o fardo fundo.
Somos vasos, receptáculos
de desgosto e de prazer,
porque nem sempre no caminho
coisas boas vão florescer.
Mas o povo do meu sertão
tem fibra, força e esperança:
cai, levanta, segue firme,
carrega a fé de criança.
Mesmo com tudo apertando,
não deixa de sobreviver,
pois sabe que além da serra
sempre há um sol pra nascer.
E assim seguimos na lida,
mesmo com tudo pesado:
conta, cobrança e aperreio
no peito apertado.
Mas se o amanhã é incerto,
o coração é segurado—
pois quem luta com coragem
um dia é recompensado.