DO BARRO AO VERBO
UMA TRAVESSIA NORDESTINA DE PENSAMENTOS
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Textos

 POESIA EM GLOSA:

O HOMEM QUE DESPERTOU O INFINITO

 

MOTE:

 

“Em meu sonho mais puro e sincero, quis ser, inocentemente, eterno. Forte eu era; inabalável sempre. Ao acordar optei por ser apenas um homem.”

(Frederico Salvo)

 

 

GLOSA:

 

Em meu sonho mais puro e sincero,

caminhei sobre o véu do impossível,

ergui meu nome no alto do etéreo

e vesti o impossível do visível.

No reino onde nada é passageiro,

quis deter o tempo por inteiro;

e crendo-me acima do que é humano,

quis ser senhor do meu próprio plano

em meu sonho mais puro e sincero.

 

Quis ser, inocentemente, eterno,

fechar no punho a luz do universo,

calar a morte, deter o inverno,

viver sem ferida, dor ou reverso.

Na ilusão que embriaga o coração,

me fiz templo de minha própria razão;

mas o instante, que é sábio, me ensina

que a eternidade também se fina—

quis ser, inocentemente, eterno.

 

Forte eu era; inabalável sempre,

do alto onde o orgulho me erguia,

não via o chão que a alma teme,

nem o limite que nos desafia.

Oh, sonho que infla o peito e engana,

que promete glória, mas desengana!

Pois quem não sente o peso que sente

não sabe viver plenamente—

forte eu era; inabalável sempre.

 

Ao acordar optei por ser apenas um homem,

deitando no peito a humilde verdade:

é na queda que os fortes se tomam,

é no limite que nasce a liberdade.

Hoje abraço o simples e o finito,

e encontro paz no que antes evito;

pois o real, com seu toque sereno,

vale mais que qualquer sonho pleno—

ao acordar optei por ser apenas um homem.

Jeovan Rangel
Enviado por Jeovan Rangel em 10/12/2025
Alterado em 10/12/2025