POESIA EM GLOSA -A GALOPE DO TEMPO
MOTE
Veja o tempo galopar,
sem rédea do meu viver,
sem que eu possa dominar
a sua forma de ser.”
(Vantuílo Gonçalves)
GLOSA
No silêncio em que me ponho,
pergunto ao tempo o que quer;
ele corre, não me quer ver,
segue altivo sem meu sonho.
E eu, preso ao seu abandono,
apenas posso escutar
o compasso que a vida dá,
sem que eu possa o passo impor.
Tudo passa sem eu notar…
Veja o tempo galopar.
Tento em vão deter a hora,
mas ela escorre da mão;
é vaidade e ilusão
achar que o hoje demora.
O tempo, quando vai embora,
não se deixa entreter,
não aceita se deter,
nem meu gesto controlar,
pois nasce para correr
sem rédea do meu viver.
Sigo assim, sem resistência,
no aprendizado de ir;
o tempo ensina a fluir,
desfaz certezas e urgências.
Aceitar sua existência
é ver-se sem governar
o que insiste em escapar,
como um rio sem parar.
Não há como lhe ordenar
sem que eu possa dominar.
Por fim, descanso o desejo
de moldar o que não muda;
o tempo é flecha que ajuda,
mas corta fundo, sem pejo.
Ele é sopro, risco e ensejo,
é o que sobra ao renascer;
mesmo quando faz doer,
é mestre sem se explicar,
pois ninguém pode conter
a sua forma de ser.