DO BARRO AO VERBO
UMA TRAVESSIA NORDESTINA DE PENSAMENTOS
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POESIA EM GLOSA -A GALOPE DO TEMPO

 

 

MOTE

 

Veja o tempo galopar,

sem rédea do meu viver,

sem que eu possa dominar

a sua forma de ser.”

(Vantuílo Gonçalves)

 

 

GLOSA

 

No silêncio em que me ponho,

pergunto ao tempo o que quer;

ele corre, não me quer ver,

segue altivo sem meu sonho.

E eu, preso ao seu abandono,

apenas posso escutar

o compasso que a vida dá,

sem que eu possa o passo impor.

Tudo passa sem eu notar…

Veja o tempo galopar.

 

Tento em vão deter a hora,

mas ela escorre da mão;

é vaidade e ilusão

achar que o hoje demora.

O tempo, quando vai embora,

não se deixa entreter,

não aceita se deter,

nem meu gesto controlar,

pois nasce para correr

sem rédea do meu viver.

 

Sigo assim, sem resistência,

no aprendizado de ir;

o tempo ensina a fluir,

desfaz certezas e urgências.

Aceitar sua existência

é ver-se sem governar

o que insiste em escapar,

como um rio sem parar.

Não há como lhe ordenar

sem que eu possa dominar.

 

Por fim, descanso o desejo

de moldar o que não muda;

o tempo é flecha que ajuda,

mas corta fundo, sem pejo.

Ele é sopro, risco e ensejo,

é o que sobra ao renascer;

mesmo quando faz doer,

é mestre sem se explicar,

pois ninguém pode conter

a sua forma de ser.

Jeovan Rangel
Enviado por Jeovan Rangel em 08/12/2025
Alterado em 08/12/2025