DO BARRO AO VERBO
UMA TRAVESSIA NORDESTINA DE PENSAMENTOS
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Textos

POESIA EM GLOSA: O SILÊNCIO ENTRE NÓS 

 

 

Mote:

 

Aconteceu de repente. De uma hora para outra, o contato diminuiu. Sem perceber, alguns se afastaram. A escuridão veio. Cada vida se transformou num microuniverso. Um apocalipse particular. E assim, a nova geração respondeu: sim, estamos sozinhos.

 

Autor: Victor O. De Farias

 

 

 

Glosa:

 

Veio o corte de repente,

como um vento que sumiu.

O que era perto ficou longe,

e o contato se extinguiu.

Tudo mudou tão depressa:

aconteceu de repente.

De uma hora para outra,

o contato diminuiu.

 

Passos dados para o nada,

vozes que o tempo emudeceu.

Na rotina, sem alarde,

cada rosto se perdeu.

E o afeto foi ficando raso:

sem perceber, alguns se afastaram.

A escuridão veio.

 

Cada um virou seu mundo,

seu céu preso, seu reverso.

O abraço virou saudade,

e o olhar, espaço disperso.

Tudo cabe agora no íntimo:

cada vida se transformou num microuniverso.

 

No silêncio que desaba,

cada dor quer se explicar.

Não se vê fumaça ou queda,

mas tudo tende a desabar.

É um fim que nasce por dentro:

um apocalipse particular.

 

E ao fim dessa travessia,

o vazio fez seu tom.

Numa geração que busca

o sentido do que é ser dom.

E a resposta veio amarga:

sim, estamos sozinhos.

Jeovan Rangel
Enviado por Jeovan Rangel em 02/12/2025
Alterado em 02/12/2025