POESIA EM GLOSA: O SILÊNCIO ENTRE NÓS
Mote:
Aconteceu de repente. De uma hora para outra, o contato diminuiu. Sem perceber, alguns se afastaram. A escuridão veio. Cada vida se transformou num microuniverso. Um apocalipse particular. E assim, a nova geração respondeu: sim, estamos sozinhos.
Autor: Victor O. De Farias
Glosa:
Veio o corte de repente,
como um vento que sumiu.
O que era perto ficou longe,
e o contato se extinguiu.
Tudo mudou tão depressa:
aconteceu de repente.
De uma hora para outra,
o contato diminuiu.
Passos dados para o nada,
vozes que o tempo emudeceu.
Na rotina, sem alarde,
cada rosto se perdeu.
E o afeto foi ficando raso:
sem perceber, alguns se afastaram.
A escuridão veio.
Cada um virou seu mundo,
seu céu preso, seu reverso.
O abraço virou saudade,
e o olhar, espaço disperso.
Tudo cabe agora no íntimo:
cada vida se transformou num microuniverso.
No silêncio que desaba,
cada dor quer se explicar.
Não se vê fumaça ou queda,
mas tudo tende a desabar.
É um fim que nasce por dentro:
um apocalipse particular.
E ao fim dessa travessia,
o vazio fez seu tom.
Numa geração que busca
o sentido do que é ser dom.
E a resposta veio amarga:
sim, estamos sozinhos.