DO BARRO AO VERBO
UMA TRAVESSIA NORDESTINA DE PENSAMENTOS
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MEU CORPO AINDA É PALAVRA"

 

 

MOTE:

 

"Ninguém despejou sequer uma poesia sobre minha cabeça.  Meu corpo é virgem de versos, minha boca anseia por provar os lábios de uma prosa dedicada a mim".

(Autor: Akogare)

 

 

GLOSA

 

Caminho só, sem cantiga,

nem rima leve que me aqueça.

Sigo na sombra que entristeça,

sem verso que ao peito siga.

O mundo passa e não abriga

nenhum canto que me proteja.

Ando assim, sem quem me veja,

buscando um lume que apareça:

Ninguém despejou sequer uma

poesia sobre minha cabeça.

 

Sou terra seca de canto,

folha em branco a esperar.

Ninguém quis me declamar,

nem partilhar meu espanto.

Guardo o silêncio e o pranto,

carrego os dias imersos.

E nesses caminhos diversos,

sinto o peso dos universos:

Meu corpo é virgem de versos.

 

Desejo o toque da frase,

o sopro doce de um afeto.

Um gesto simples, discreto,

que em minha alma se base.

Que venha e, leve, me case

com palavras que têm fim.

Que me sussurrem: “é assim”.

Pois minha fome não tem fim:

Minha boca anseia por provar os

lábios de uma prosa dedicada a mim.

Jeovan Rangel
Enviado por Jeovan Rangel em 15/11/2025
Alterado em 15/11/2025