MEU CORPO AINDA É PALAVRA"
MOTE:
"Ninguém despejou sequer uma poesia sobre minha cabeça. Meu corpo é virgem de versos, minha boca anseia por provar os lábios de uma prosa dedicada a mim".
(Autor: Akogare)
GLOSA
Caminho só, sem cantiga,
nem rima leve que me aqueça.
Sigo na sombra que entristeça,
sem verso que ao peito siga.
O mundo passa e não abriga
nenhum canto que me proteja.
Ando assim, sem quem me veja,
buscando um lume que apareça:
Ninguém despejou sequer uma
poesia sobre minha cabeça.
Sou terra seca de canto,
folha em branco a esperar.
Ninguém quis me declamar,
nem partilhar meu espanto.
Guardo o silêncio e o pranto,
carrego os dias imersos.
E nesses caminhos diversos,
sinto o peso dos universos:
Meu corpo é virgem de versos.
Desejo o toque da frase,
o sopro doce de um afeto.
Um gesto simples, discreto,
que em minha alma se base.
Que venha e, leve, me case
com palavras que têm fim.
Que me sussurrem: “é assim”.
Pois minha fome não tem fim:
Minha boca anseia por provar os
lábios de uma prosa dedicada a mim.