DO BARRO AO VERBO
UMA TRAVESSIA NORDESTINA DE PENSAMENTOS
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Textos

MANHÃS IGUAIS

 

MOTE:

Estou assim, me perdendo

em esperanças banais.

As manhãs que estou vivendo

são sempre desnaturais:

— Não tem uma diferente,

todas se mostram iguais. 

 

(Autor: Jarrê)

 

 

GLOSA

 

Perdi o brilho dos dias,

os sonhos ficaram para trás,

as horas, frias, vazias,

não trazem nada de paz.

Nem o sol me é eficaz,

tudo soa a ritos mortais...

Estou assim, me perdendo em

esperanças banais.

 

Nos gestos, nada é sincero,

nem o canto dos pardais;

o riso soa austero,

o tempo é feito de ais.

O céu repete os sinais,

sem matizes, sem vitrais...

As manhãs que estou vivendo

são sempre desnaturais:

 

Até o vento, em seus ais,

já sopra em tons desiguais;

mas dentro de mim, ausente,

repousa o tédio silente —

não tem uma diferente, todas

se mostram iguais.

Jeovan Rangel
Enviado por Jeovan Rangel em 09/11/2025
Alterado em 12/11/2025