MANHÃS IGUAIS
MOTE:
Estou assim, me perdendo
em esperanças banais.
As manhãs que estou vivendo
são sempre desnaturais:
— Não tem uma diferente,
todas se mostram iguais.
(Autor: Jarrê)
GLOSA
Perdi o brilho dos dias,
os sonhos ficaram para trás,
as horas, frias, vazias,
não trazem nada de paz.
Nem o sol me é eficaz,
tudo soa a ritos mortais...
Estou assim, me perdendo em
esperanças banais.
Nos gestos, nada é sincero,
nem o canto dos pardais;
o riso soa austero,
o tempo é feito de ais.
O céu repete os sinais,
sem matizes, sem vitrais...
As manhãs que estou vivendo
são sempre desnaturais:
Até o vento, em seus ais,
já sopra em tons desiguais;
mas dentro de mim, ausente,
repousa o tédio silente —
não tem uma diferente, todas
se mostram iguais.