CHUVA E O LAVRADOR
Antes de reclamares da chuva, ingrato,
pelo teu bronzeado em vão desejado,
lembra-te do homem de olhar cansado,
que vê na água o pão e o trato.
Enquanto sonhas o sol no prato,
ele agradece o céu nublado;
antes de reclamares da chuva, ingrato,
pelo teu bronzeado em vão desejado.
Que a gota, em tua pele, seja um recato,
um beijo do campo abençoado;
e lembra-te do homem, ao teu lado,
que vê na chuva o seu contrato —
antes de reclamares da chuva, ingrato.