A MORTE E O ESPINHO
Se nem tudo foi flor, nem tudo espinho,
a morte veio — em passos de neblina;
trouxe nos olhos a paz que me domina,
e em suas mãos, o fim do meu caminho.
No sopro frio, desfez-se o meu destino,
a carne cede, a alma se inclina;
se nem tudo foi flor, nem tudo espinho,
a morte veio — em passos de neblina.
E ao fim, calado, em véu tão pequenino,
repouso em pó, no colo do divino;
do riso fiz dor, do amor fiz desatino —
e aprendo, enfim, no ocaso do meu hino:
se nem tudo foi flor, nem tudo espinho.