DO BARRO AO VERBO
UMA TRAVESSIA NORDESTINA DE PENSAMENTOS
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A MORTE E O ESPINHO

 

Se nem tudo foi flor, nem tudo espinho,

a morte veio — em passos de neblina;

trouxe nos olhos a paz que me domina,

e em suas mãos, o fim do meu caminho.

 

No sopro frio, desfez-se o meu destino,

a carne cede, a alma se inclina;

se nem tudo foi flor, nem tudo espinho,

a morte veio — em passos de neblina.

 

E ao fim, calado, em véu tão pequenino,

repouso em pó, no colo do divino;

do riso fiz dor, do amor fiz desatino —

e aprendo,  enfim, no ocaso do meu hino:

se nem tudo foi flor, nem tudo espinho.

Jeovan Rangel
Enviado por Jeovan Rangel em 03/11/2025
Alterado em 03/11/2025