VERÕES ABSTRATOS
Aquarelo meus cinzas em verões abstratos,
onde o ser se dissolve em pura invenção;
o nada me habita, mas dá-me a noção
de ser e não ser — fragmentos exatos.
Nos traços do tempo refaço os contratos,
com o finito que pulsa em cada estação;
aquarelo meus cinzas em verões abstratos,
onde o ser se dissolve em pura invenção.
E ao fim, quando o eu sucumbir nos atos,
restar-me-á só a contemplação:
do caos, fiz arte; da dor, criação —
Assim prossigo assumindo meus atos
aquarelo meus cinzas em verões abstratos.