ENTRE O AMOR E O EGO – 1 Coríntios 1.10
Somos, por natureza, egoístas — isso é fato. Por mais que lutemos contra esse mal dentro de nós, ele sempre estará em algum lugar do nosso interior e, inevitavelmente, prevalecerá em algum momento de nossas vidas.
Numa simples conversa entre duas pessoas, é fácil observar o desrespeito e o egoísmo figurando entre ambas. Isso acontece porque sempre temos a atitude de querer que a última palavra seja a nossa! E mais: ainda esperamos que a outra pessoa concorde conosco. Se isso não ocorre, num átimo instala-se um entrevero entre um e outro. Por quê Porque não aceitamos ser contrariados, confrontados, ou que discordem de nós, da nossa maneira de pensar ou de entender as coisas. Às vezes, perdemos o controle e a compostura e agimos como gente esquizofrênica — na melhor das hipóteses —, como gente ímpia.
De repente, aquela pessoa ponderada e comedida se mostra lunática e tola apenas porque foi contrafeita por seu interlocutor. É a coitada da esposa que, discordando da opinião do marido por pensar diferente dele, é obrigada a ouvir um monte de impropérios e humilhações. O destemperado não tem domínio próprio, como a Bíblia requer do verdadeiro cristão. Não entendeu a parte do “aceitar o outro como ele exatamente é” e não compreendeu que amar é respeitar as diferenças — inclusive, aceitar aqueles que discordam de nós.
As pessoas não querem lutar para aprender a amar; elas querem, hoje, lutar por vitórias e conquistas. Muitas músicas ditas evangélicas fazem apologia ao triunfalismo pessoal. Basta analisarmos a letra da canção “Sabor de Mel”, da cantora Damares:
> “Quem te viu passar na prova e não te ajudou, Quando ver você na bênção vai se arrepender; Vai estar entre a plateia e você no palco, Vai olhar e ver Jesus brilhando em você...”
Isso é evangelho? Não! Isso é antropocentrismo egoísta, puro e simples. É a minha felicidade e vitória em detrimento da tristeza e da derrota do meu próximo — a quem eu digo amar. E, pior ainda, tripudiando do coitado que está na desgraça. “Eu vou estar no palco, por cima, e rindo da cara dele, que está lá embaixo.”
Meu caro amigo leitor, a Bíblia, a Palavra de Deus, diz: “Deixe a misericórdia guiar a sua vida.” Num diálogo, as pessoas buscam o que é justo para elas, mas os ensinamentos do Senhor não se referem à justiça humana — têm tudo a ver com a Sua graça e misericórdia (Romanos 5.8).
Deus não quer que entremos em discussões tolas e embates inúteis uns com os outros. Nós não somos absolutos — isso pertence a Deus; é um dos Seus muitos atributos incomunicáveis. Deixe que Ele determine a verdade para você (2 Coríntios 13.8). Você não irá determinar a verdade por sua maneira de pensar e sentir, nem pela opinião dos outros. Ele está dizendo a você agora: “Eu sou a verdade.” A verdade é aquilo que Deus diz; Ele é a única autoridade em toda e qualquer situação (2 Coríntios 10.5).
O que precisamos fazer é buscar a presença de Deus (Mateus 28.20) e nos humilhar diante de Sua potente mão, depondo todo o nosso armamento humano. Enquanto o apóstolo Pedro usou palavras violentas, espadas, maldições e mentiras, lutou como um homem separado de Deus.
Como pregou o pastor Diógenes Sousa: seremos vitoriosos quando lutarmos as nossas lutas com as armas que Deus tem para nós. Ele citou Davi, que acreditou que Deus estava na batalha e que ela pertencia ao Senhor (1 Samuel 17.47). A Palavra do Senhor nos orienta a não nos apoiarmos em nossa própria compreensão (Provérbios 3.5), pois aquilo que parece certo aos nossos olhos pode estar completamente errado (Provérbios 14.12).
Concluindo, quero dizer que não é necessário que concordemos em tudo para andarmos juntos. Podemos pensar de forma diferente e ter atitudes distintas, porém em harmonia. “Que haja verdadeira harmonia.” É a harmonia que embeleza a música, ainda que sejam muitos os instrumentos, porque todos estão direcionados pelo Maestro. Pense nisso.
Nosso propósito é “ter o mesmo pensamento, ser unidos num só objetivo.”
Acontecendo isso, estaremos a caminho de uma igreja saudável.
Que Deus, em Cristo, abençoe a todos, dando-lhes uma semana de humilhação, santidade e entrega na presença d’Ele.
Autor: Jeovan Rangel