A ESPERA DA FELICIDADE
por Jeovan Rangel
Um dia lindo me visita,
a brisa leve vem e vai,
leva a saudade que ainda habita,
e o cansaço que nunca sai.
Sento na velha cadeira,
onde o tempo gosta de parar,
sem destino, nem fronteira,
sem promessa de voltar.
Não prometo mais manhãs,
nem invento o esperar —
há regras que são enganos,
há esperas que sabem amar.
E quem espera, sem ter pressa,
tem no peito a nutrição,
de um sentimento que atravessa
a fronteira da razão.
Mesmo feito de desilusão,
sei: posso um dia me levantar,
e quando a vida abrir o portão,
a felicidade — enfim — deixar entrar.