DO BARRO AO VERBO
UMA TRAVESSIA NORDESTINA DE PENSAMENTOS
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DIÁRIO DE UM CORAÇÃO 

 

Senhor...

não sei quando Te deixei.

Foi aos poucos —

um passo distraído,

um olhar desviado,

um silêncio entre orações.

 

Fui Te esquecendo sem querer,

enquanto o mundo me chamava

com promessas que não cumprem

e vozes que não salvam.

 

Fui infiel,

quando Te troquei por mim mesmo,

quando fiz da vontade própria

o meu altar secreto.

 

Fui infiel,

quando busquei o conforto

e deixei a cruz de lado,

quando guardei palavras

que deviam ser confissão.

 

Hoje vejo as ruínas da minha fé,

as cinzas do amor primeiro,

a distância entre o que sou

e o que um dia Te prometi ser.

 

Mas ainda Te ouço,

manso, persistente,

chamando meu nome

entre as sombras.

 

E volto, Senhor —

sem glória, sem orgulho,

apenas com um coração cansado

e a esperança de que Tua graça

ainda me queira assim.

 

Se quiseres, refaz-me.

Apaga o infiel que fui,

e planta em mim de novo

a fidelidade viva

que nasce do Teu perdão.

 

Amém.

Jeovan Rangel
Enviado por Jeovan Rangel em 29/10/2025
Alterado em 29/10/2025