DIÁRIO DE UM CORAÇÃO
Senhor...
não sei quando Te deixei.
Foi aos poucos —
um passo distraído,
um olhar desviado,
um silêncio entre orações.
Fui Te esquecendo sem querer,
enquanto o mundo me chamava
com promessas que não cumprem
e vozes que não salvam.
Fui infiel,
quando Te troquei por mim mesmo,
quando fiz da vontade própria
o meu altar secreto.
Fui infiel,
quando busquei o conforto
e deixei a cruz de lado,
quando guardei palavras
que deviam ser confissão.
Hoje vejo as ruínas da minha fé,
as cinzas do amor primeiro,
a distância entre o que sou
e o que um dia Te prometi ser.
Mas ainda Te ouço,
manso, persistente,
chamando meu nome
entre as sombras.
E volto, Senhor —
sem glória, sem orgulho,
apenas com um coração cansado
e a esperança de que Tua graça
ainda me queira assim.
Se quiseres, refaz-me.
Apaga o infiel que fui,
e planta em mim de novo
a fidelidade viva
que nasce do Teu perdão.
Amém.