DO BARRO AO VERBO
UMA TRAVESSIA NORDESTINA DE PENSAMENTOS
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Textos

INDIVIDUALIDADE

 

O sofrimento é a matéria-prima de tudo. É de somatizadas diatribes que se compõe o cadinho das inquietações e possíveis enfermidades, em todos os tempos, como apontava Goethe em Os Sofrimentos do Jovem Werther, de 1774. É essa sensação de sofrência, de solidão no viver e o sublimar das angústias – as mais das vezes – que perfaz os meus neurônios, e humildemente imagino que o receptor possa tirar dos relatos sobre este obscuro andar no mundo alguma utilidade ou gozo. Mais do que qualquer efeito, esse lúdico exercício com os signos vai traduzindo o escritor.

 

Este talvez seja um momento em que tenho pouco a dar como autor, mas, no íntimo de meus alter egos, a rosa vai se abrindo à luz. E, como o instante da criação pode ser brilhante ou tempestuoso, os olhos que me aclaram nem sempre estão com a mesma ótica. Percebo que o não revelado, ou o que sai inerte das entrelinhas, é o que mais se reproduz no esforço de entendimento pelo receptor. O reproduzir-se ou não da proposta textual naturalmente depende de quem a recebe. Nem sempre o alter ego traduzido pelo criador se conecta bem com o leitor.

 

Afinal, este é o mistério da comunicação: aquela ideia que nasce, debatendo-se por meio das palavras, no desabrochar – atônita – no mundo real. Um parto doloroso, no qual nem sempre o nascituro conseguirá vir à luz individual.

 

 

Por: Jeovan Rangel 

– Do livro O Capital das Horas, 2014.

 

Porto Seguro, Bahia, Brasil – 01/10/2019

Jeovan Rangel
Enviado por Jeovan Rangel em 27/09/2025