DO BARRO AO VERBO
UMA TRAVESSIA NORDESTINA DE PENSAMENTOS
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Textos

DO MEU JEITO, HUMANO.

 

O fim se aproxima.

E não há cortina que esconda

a nudez de existir.

 

Amigos, não me calo:

vivi o que pude,

assumi escolhas,

paguei preços.

O saldo não é perfeito,

mas é meu.

 

Arrependimentos?

Alguns.

Mas sem força para apagar

o traço essencial:

caminhei.

 

Não como os mapas sugeriam,

nem como os outros esperavam.

Mordi além da medida,

engasguei na dúvida,

mas não retrocedi.

Engoli, suportei,

e me mantive de pé.

 

Amei — e perdi.

Ri — e chorei.

Fracassei — e me refiz (Vice-versa).

A vida é feita disso:

quedas que nos lembram do chão,

voos que nos lembram do céu.

 

Hoje, olhando para trás,

não vejo perfeição,

vejo presença.

Não vejo vitória,

vejo verdade.

E nisso me basta.

 

Porque o que é um homem,

se não tiver a coragem

de dizer a si mesmo

o que de fato sente?

De ser fiel ao seu silêncio

tanto quanto às suas palavras?

 

As marcas ficaram,

o tempo registrou cicatrizes.

Mas, entre todas as rotas,

há apenas esta certeza:

 

fui,

e segui,

do meu jeito.

 

 

Jeovan Rangel
Enviado por Jeovan Rangel em 09/09/2025
Alterado em 09/09/2025