DO MEU JEITO, HUMANO.
O fim se aproxima.
E não há cortina que esconda
a nudez de existir.
Amigos, não me calo:
vivi o que pude,
assumi escolhas,
paguei preços.
O saldo não é perfeito,
mas é meu.
Arrependimentos?
Alguns.
Mas sem força para apagar
o traço essencial:
caminhei.
Não como os mapas sugeriam,
nem como os outros esperavam.
Mordi além da medida,
engasguei na dúvida,
mas não retrocedi.
Engoli, suportei,
e me mantive de pé.
Amei — e perdi.
Ri — e chorei.
Fracassei — e me refiz (Vice-versa).
A vida é feita disso:
quedas que nos lembram do chão,
voos que nos lembram do céu.
Hoje, olhando para trás,
não vejo perfeição,
vejo presença.
Não vejo vitória,
vejo verdade.
E nisso me basta.
Porque o que é um homem,
se não tiver a coragem
de dizer a si mesmo
o que de fato sente?
De ser fiel ao seu silêncio
tanto quanto às suas palavras?
As marcas ficaram,
o tempo registrou cicatrizes.
Mas, entre todas as rotas,
há apenas esta certeza:
fui,
e segui,
do meu jeito.