FARDO DA ALMA
Eu sou burro, que carrega cargas,
Levo destinos no dorso da noite,
Escalo montanhas, guardando o açoite,
Entre silêncios e rotas amargas.
No mapa oculto, a esperança se alarga,
Eu sou burro, que carrega cargas,
Levo destinos no dorso da noite.
Sou guia incerto do sonho que acoite,
Alma que sangra e nunca se apaga,
No peso bruto se ergue o açoite,
Mas sigo avante, sem que me afoite:
Levo destinos no dorso da noite.
Eu sou burro, que carrega cargas,