BURRO, DISSERAM-ME
Burro, disseram-me, e caiu a noite,
sombras engoliram minha confiança,
palavra que fere, ecoa e açoite,
rasga-me o peito, roubou a esperança.
O frio do desprezo em mim se açoite,
marca da ofensa, cruel lembrança,
Burro, disseram-me, e caiu a noite.
Não me entrego à mancha que me tinge,
Seus olhos cortam como afiada foice,
mas carrego fogo que não se extingue,
renasço da dor que insiste e finge,
o vento sussurra, o medo não importa,
Burro, disseram-me, e caiu a noite.