DO BARRO AO VERBO
UMA TRAVESSIA NORDESTINA DE PENSAMENTOS
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Textos

QUANDO O CAMINHO É INTERROMPIDO 

 

Havia uma vaca no meio do caminho. No meio do caminho havia uma vaca. Não era uma pedra: era uma vaca enorme e preta. O grande problema é que ela não estava no pasto, estava no meio do caminho; melhor: no asfalto. Sempre há vacas no trajeto Prado–Teixeira.

 

Quinta-feira, meu celular tocou. Eu atendi e ouvi um pedido para uma visita. No início, por ter outros compromissos e por julgar aquele pedido sem muita gravidade e necessidade da minha presença, quase não fui. Mas, como sempre faço, não me deixando levar pelo grau de importância aparente do problema, fui.

 

Você certamente está se perguntando o que tem a vaca a ver com o conteúdo do texto. Continue lendo... Numa pista de alta velocidade, com nenhuma iluminação — exceto a do automóvel —, sem perceber, o motorista bateu numa vaca. Bateu leve, mas perdeu o controle do carro e subiu o acostamento, alguns metros dentro da vegetação, ficando assustada. Todavia, nada de mais lhe aconteceu, senão apenas um grande susto. E essa foi a pessoa a ser visitada por mim.

 

No início da conversa, a vaca era tratada como a causadora de um grande prejuízo. Porém, já no final da visita, a vaca havia virado piada. No começo, a feição de susto era algo notório, somado ao abatimento da vítima pelo prejuízo; no entanto, no final, éramos todos risos. Lembrei-me do texto sagrado de Romanos 12:15 e Provérbios 17:17:

“Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram. O amigo ama em todo o tempo; e para a angústia nasce o irmão.”

 

Aprendi algo nesta noite com o episódio da vaca: a importância da comunhão, do tempo que eu disponibilizo para me alegrar ou chorar com alguém que precisa de auxílio ou de um abraço meu. Percebi que, quando as pessoas precisam de mim e me pedem para que eu vá até elas, é porque não têm forças para virem até mim. Sou eu que tenho que ir ao encontro delas. Isso equivale a dizer que me importo com elas e que são importantes para mim. Aquela pessoa que me chamou não queria outro — não que o outro não tivesse valor —, mas naquele instante ela queria a mim. Tinha que ser eu a estar ali. Isso se chama comunhão.

 

Fez-me lembrar de outro episódio. Uma irmã estava trancada em seu quarto há dois dias, deprimida e querendo cometer suicídio. Seu esposo ligou para o seu pastor e pediu que ele fosse até sua casa para visitá-los e ajudá-los a resolver o problema. Entretanto, aquele pastor me ligou e pediu que eu, com mais dois pastores, fosse até a casa do casal. Fomos e fizemos o que havia de ser feito. Mas eu sei que, para eles, não foi a mesma coisa. Nós não éramos seus pastores. Eles queriam o seu pastor!

 

O que quero dizer com isso é que, quando alguém precisar de você, tem que ser você. Não mande outro em seu lugar. Valorize o sentimento do irmão: chore com ele, ou sorria com ele. O consolo ou as gargalhadas somente terão valor se forem com você. Isso é comunhão, isso é ser cristão. Às vezes a pessoa quer apenas um abraço apertado, acompanhado de um “conte comigo” ou então de um “Deus te abençoe”. Precisamos fortalecer nossa identidade cristã, importando-nos uns com os outros.

 

No meio do caminho havia uma vaca. Havia uma vaca no meio do caminho. E havia também aquela irmã. Mas, no meio deles, em todos, estava Jesus. Amém!

 

Obs.: Semana passada, voltando de Teixeira, quase bati também nas mesmas vacas...

 

 

 

Prado, Bahia, 30 de Agosto 2014.

IESUS CHRISTUS, VIA, VERITAS ET VITA.

 

 

Jeovan Rangel
Enviado por Jeovan Rangel em 30/08/2025
Alterado em 30/08/2025