A EXECUÇÃO DA VERDADE
No Brasil, a verdade não é vivida. Ela é assassinada. Não estamos diante da prática que liberta ou da experiência que ilumina, mas da cena brutal de sua execução sumária. A verdade está contra o paredão, diante dos olhos da nação, e os disparos não vêm de inimigos externos, mas dos próprios guardiões que juraram defendê-la.
A Suprema Corte, que deveria resguardar a Constituição, converteu-se em tribunal de conveniências. As Forças Armadas, que deveriam assegurar soberania e ordem, refugiam-se em um silêncio cúmplice que pesa mais que qualquer palavra. A velha mídia, escrita e televisiva, opera como o mais implacável dos carrascos: não dispara balas, mas manchetes; não usa pólvora, mas versões; não mata com facas, mas com narrativas envenenadas.
Não há ingenuidade nesse cenário. Não há acidente. Há projeto. A execução da verdade é calculada, televisionada, repetida. O espetáculo é transmitido ao vivo, naturalizado na rotina, até que o povo já não saiba distinguir realidade de ficção, fato de manipulação. Quer-se instaurar a névoa: uma sociedade incapaz de reconhecer o real é uma sociedade incapaz de resistir.
Quando a verdade é fuzilada, a justiça cai junto. Quando a verdade é silenciada, o povo se torna refém. Sem verdade, não há democracia. Sem verdade, não há soberania. Sem verdade, não há futuro.
O que assistimos hoje não é apenas uma crise institucional, mas um crime ontológico: o assassinato da verdade por aqueles que deveriam protegê-la. E não há delito maior contra uma nação do que esse. Pois onde a verdade é morta, todo o resto se torna cativeiro.
A verdade tombou. E com ela, o país sangra.