DEUSA CIBELE
Nos templos de Sardes, Cibele reinava,
Mãe dos mistérios, terra e emoção,
Velava os ritos com dissimulação,
Onde a verdade aos poucos se apagava.
Seu culto envolvia a alma acorrentada,
Promessa viva — mas morta em razão.
Enquanto dançava a falsa devoção,
A fé verdadeira jazia calada.
Mas eis que o Cristo à igreja dirige
Palavra viva, espada que corrige:
“Não durmas, vigia! Teu nome é vão!”
Rejeita o véu da deusa e seus altares,
Volta ao Espírito, aos passos originais,
Pois quem vencer vestirá salvação.
Soneto clássico inspirado na figura da deusa Cibele — Ela vem da mitologia frígia (da região da atual Turquia) e foi depois incorporada pelos romanos, onde ficou conhecida como a “Grande Mãe” (Magna Mater).
Na Grécia, ela até foi associada a deusas como Reia (mãe dos deuses olímpicos) e Deméter (deusa da agricultura), por causa do seu papel ligado à fertilidade, natureza e maternidade, mas não fazia parte do panteão grego original e, associada às religiões de mistério, cultuada na Ásia Menor (notadamente em Sardes, à qual se refere Apocalipse 3:1-6).