LÁGRIMAS DE AMOR
Lágrimas brotam da alma em dor consumida,
Visão fugaz que o sonho ainda alimenta;
Memória doce de paixão tão descabida,
Que o peito guarda como amarga tormenta.
Na vastidão do desejo, alma perdida,
Busca em vão a luz que o coração sustenta;
Mas no fervor de uma esperança iludida,
Confunde o amor com dor que o tempo inventa.
Do encanto puro, resta o eco profanado,
E a beleza, que outrora a vida adornava,
Cede ao vazio do intento desamparado.
Que na renúncia a redenção se achegava,
E ao coração, enfim, o perdão alcançado,
Faça das dores flores que a alma lavrava.