DO BARRO AO VERBO
UMA TRAVESSIA NORDESTINA DE PENSAMENTOS
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Textos

ENTRE A PRESSÃO E A PROMESSA 

 

Amados irmãos,

 

Se há algo que, humanamente falando, nos tira do eixo, é a pressão. Não gostamos de agir pressionados por pessoas, por prazos exíguos ou por metas que nos são impostas. Preferimos o tempo, o planejamento, a previsibilidade. Gostamos de fazer as coisas com calma, com método, com ordem. E isso não é errado. A maioria de nós funciona assim.

 

Entretanto, embora não gostemos da pressão, precisamos reconhecer uma verdade espiritual: a pressão é, muitas vezes, um instrumento pedagógico de Deus na formação do caráter humano. Ela ajusta, corrige, amadurece. Funciona como um antídoto contra nossas tendências mais cômodas, nossa inclinação ao adiamento e, não raro, à acomodação.

 

Nosso maior exemplo diante da pressão é Jesus Cristo, o nosso Senhor. Ele enfrentou pressões constantes durante toda a sua peregrinação entre os homens, mas foi na véspera da cruz, na via dolorosa, que a pressão atingiu seu ápice. E, ainda assim, Ele permaneceu fiel, firme e obediente até o fim.

 

A vida cotidiana não nos poupa. Todos os dias somos expostos a pressões — familiares, profissionais, emocionais e espirituais. Não há como fugir delas. Ignorá-las ou fingir que não existem não é o melhor caminho. A pressão, quando bem administrada, nos torna mais lúcidos, mais atentos e mais dependentes de Deus.

 

Ela é como o som de um instrumento afinado. Um violão desafinado produz ruído; um violão ajustado, mesmo sob tensão nas cordas, produz harmonia. Assim também somos nós. A pressão não destrói quem foi afinado por Deus; ela revela a qualidade da afinação.

 

Aprendemos isso de forma magistral na vida do profeta Neemias, durante a reconstrução dos muros de Jerusalém. A obra avançava, mas a pressão aumentava. E o princípio que emerge desse texto é claro: a pressão quase sempre se manifesta através dos relacionamentos humanos. Pessoas, palavras, ameaças, boatos e insinuações tornam-se instrumentos de coerção.

 

Neemias nos ensina como viver sob pressão.

 

Primeiro, precisamos reconhecer que os inimigos existem e sempre existirão. Onde há visão, há oposição. Onde Deus direciona, o inimigo se levanta para contrariar. Neemias tinha clareza disso. Havia gente que se incomodava com o avanço da obra, que se alimentava da inveja e desejava o fracasso do outro. Esses inimigos se aproveitam de ambientes hostis para nos pressionar, tentando nos fazer desistir daquilo que Deus nos mandou fazer.

 

Mas Neemias nos ensina algo precioso: discernir os inimigos não significa parar a obra. Ele os reconhece, se posiciona, mas continua construindo. Irmãos, terminar o que Deus nos mandou começar é um ato de obediência e maturidade espiritual. Não desista. Continue.

 

Segundo, é necessário manter o foco. A pressão tenta nos distrair, nos cansar e nos fazer perder o alvo. O autor de Hebreus nos exorta a correr a carreira proposta, com os olhos fitos em Jesus. Desistir nunca foi opção para quem entende o propósito de Deus. Os inimigos tentarão nos amedrontar, porque o medo paralisa. Mas lembre-se: coragem verdadeira nasce da presença do Espírito Santo em nós. Deus esteve com Neemias e permanece conosco.

 

Terceiro, não se justifique. A pressão das acusações, das calúnias e das mentiras costuma nos levar à autodefesa excessiva. Neemias não caiu nessa armadilha. Ele não gastou energia tentando convencer os acusadores. Quem vive se justificando acaba refém das acusações. Diga a verdade, viva a verdade e siga em frente. Deus é o nosso juiz.

 

Quarto, desenvolva uma vida de oração. Neemias orava enquanto construía. A oração precede, sustenta e atravessa as pressões da vida. Ela nos fortalece quando o inimigo tenta nos enfraquecer. Existem batalhas que não se vencem com estratégia humana, mas com joelhos dobrados. Na oração, acessamos um poder que não vem de nós.

 

Quinto, cuidado com conselhos intimidadores. Há pessoas que, travestidas de “prudentes”, apenas espalham medo. A intimidação é uma forma sutil de pressão que trabalha com a mentira e aponta atalhos perigosos. Neemias discerniu isso. Nem todo conselho vem de Deus. Firme-se na verdade, resista ao inimigo, e ele fugirá.

 

Concluo com uma pergunta pastoral e necessária: **como você tem reagido às pressões?

Jeovan Rangel
Enviado por Jeovan Rangel em 14/12/2021
Alterado em 14/12/2025