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Resenha Crítica - O PEREGRINO DE JOHN BUNYAN

 

Já perdi a conta de quantas vezes li O Peregrino, de John Bunyan. Para os leitores assíduos, especialmente aqueles ligados ao universo cristão e teológico, esta obra parece quase obrigatória. Durante o seminário, inclusive, era leitura compulsória. Não há dúvida de que The Pilgrim's Progress, publicado no século XVII, é um clássico da literatura religiosa e alegórica. John Bunyan, pregador protestante, viveu sob a sombra da perseguição por ser considerado um dissidente; sua recusa em desistir de pregar resultou em doze longos anos de prisão. Ironicamente, foi esse mesmo período de encarceramento que acabou por sedimentar sua produção literária, e O Peregrino, lançado após sua libertação, obteve enorme êxito, mantendo-se relevante por séculos. Contudo, soa um tanto exagerada a afirmação presente na contracapa de que este livro é superado em popularidade apenas pela Bíblia. Ao menos em minha realidade contemporânea e nacional, percebo muito mais referências a outros autores e obras do cânone ocidental.

 

Ainda assim, é inegável o status de O Peregrino como um marco literário, embora, em minha opinião, o livro seja de uma pedanteria quase insuportável, assim como sua continuação, A Peregrina. A superficialidade alegórica, somada à nomenclatura caricatural dos personagens, torna a leitura enfadonha e irritante. Nomes como Esperança, Boas-Palavras, Intérprete, Misericórdia, Grande-Coração, Evangelista, Sábio-Segundo-o-Mundo e Temente a Deus deixam transparecer uma moralidade óbvia e sem sutilezas. A figura central, Cristão, e sua esposa, Cristã, não são exceção. A narrativa acompanha Cristão em sua jornada, iniciada após a descoberta de que sua cidade natal seria destruída. Ele abandona a família e parte em peregrinação em busca da Cidade Celestial, enfrentando regiões desconhecidas e adversidades de toda ordem.

 

No entanto, as metáforas apresentadas carecem de profundidade. As alegorias são artificiais e primárias, de modo que frequentemente soam forçadas e pouco convincentes. É difícil não se surpreender ao ler que a sequência, A Peregrina, adota um tom "mais humorístico" — uma afirmação que considero completamente equivocada, já que a obra não possui sequer vestígios de humor. Naturalmente, haverá quem discorde de meu ponto de vista, e considero tal divergência legítima. Contudo, não posso deixar de expressar minha decepção diante de um livro que, embora amplamente aclamado, me parece um clássico superestimado.

 

 

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Referência Bibliográfica:

BUNYAN, John. O Peregrino, acompanhado de A Peregrina. São Paulo-SP: Editora Martin Claret, Coleção “A obra-prima de cada autor”, Série Ouro n° 36, 2005. Capa: Marcellin Talbot. Tradução: Alfredo Henrique da Silva. Introdução: Roger Lundin.

 

Jeovan Rangel
Enviado por Jeovan Rangel em 26/06/2020
Alterado em 11/12/2024