Meu grito traz o som do silêncio noturno,
É singelo, discreto; é simples, é soturno.
É o bramir pelo último abraço na despedida,
E o estro poético de uma alma ferida.
Meu grito é literário, tem itinerário, é profuso,
Brinca com as palavras e deixa ouvintes confusos.
Meu grito é para alguém, em algum lugar do mundo;
Nas sombras, nas companhias, meu grito é profundo.
Meu grito não é cego, é algo que carrego,
Como antídoto que a minha alma cura,
Quando, nos momentos de loucura, teima em gritar!
Meu grito é o sufocar da dor, o despetalar da flor,
É o rebento que nasce do prazer da candura;
Meu grito é o afônico da ternura ao sentir morrer o amor