DO BARRO AO VERBO
UMA TRAVESSIA NORDESTINA DE PENSAMENTOS
Capa Meu Diário Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Livro de Visitas Contato Links
Textos

ROSA NEGRA

Os que vêm comigo jamais florescem.

Quem se volta para mim jamais desperta.

Volvem-se à minha alma e a erguem

sobre um túmulo de obscuridade certa.

Que tremulem, sob o manto sombrio da dor,

os descortinados olhos para que me vejam;

pois ali permanecerei, tesa, sem perder a cor,

chorando orvalhos que de mim gotejam.

Não haverá pé de vento que me possa mover,

nem mesmo brisa que me possa arrancar.

Com raízes queimadas e postas ao sol, ainda assim,

não haverá vida que me tire de lá.

Lá, meu negror enriquece-me o dia;

lá, não serei eu induzido por nada.

Meu decrépito sorriso provará que a falsidade descerra

as mais embuçadas sentenças, como em um conto de fada.

Sobre um altar penitente, revestido de impaciência,

em som esganiçado, meu ulular gorjeia.

Alçado pela ingratidão que propaga o egoísmo,

arrematado pela insensatez em meio a um sorteio.

Que meu sentir não seja confundido

com lamentos de dó sem piedade.

Que não seja eu apenas uma rosa negra

após os ecos de torturas e maldades.

Que minha mente, encimada pela escuridão que chega,

não fique exposta sobre a lápide de uma rocha rasa.

Que eu seja eu, agora e para sempre, negra;

e que perdure viva minh’alma dentro de mim,

à sombra da minha casa.

Jeovan Rangel
Enviado por Jeovan Rangel em 12/06/2020
Alterado em 24/04/2026